quinta-feira, 27 de março de 2014

RESPOSTA AO PEDIDO DE RENUNCIA

-------- Mensagem original --------
Assunto: RE: Assembleia do LIVRE
De: LIVRE <info@livrept.net>
Para: José_Paz <paz.josefmarecos@gmail.com>
CC:
Caro José Paz,

Lamentamos profundamente a opção de renúncia à Assembleia do LIVRE e até ao estatuto de membro. Aceitamos a opinião do José e sabemos que ainda temos um logo percurso a percorrer nesta aventura dos “partidos”, mas tal como o José, a esmagadora maioria dos membros da Assembleia ou dos restantes órgãos eleitos do LIVRE não são profissionais da política, usam em especial de voluntarismo e da perda de muitas horas de sono na procura de um ideal, que é o de conseguir inverter o caminho de um retrocesso civilizacional iminente. E usamos as únicas armas que todos temos, as da cidadania efetiva.
A história de vida que connosco partilha só prova como é importante a enorme diversidade de experiência e conhecimento dos elementos da nossa Assembleia do LIVRE, tal como muito oportunamente uma jornalista escreveu: “um partido do maquinista ao cientista”.
Quando iniciámos este caminho a única certeza que tínhamos era da quase impossibilidade de nos apresentarmos às Europeias. Mas essa foi a primeira certeza a ser abalada, e bem! O entusiasmo com que fomos recebidos pelas pessoas, de todos os cantos do país, de todo o espectro político, levaram a que em tempo record tivéssemos 9000 assinaturas para entregar ao Tribunal Constitucional. E uns Estatutos aprovados na Assembleia Constitutiva de que fala. E um programa político. E houve um Congresso, e uma Assembleia e regimentos e regulamentos e um Programa para as Europeias. E pela primeira vez na história dos partidos em Portugal, todos os documentos foram abertos à participação dos membros e apoiantes do LIVRE. Haverá maior exercício de democracia?
É certo que o tempo tornou-se de repente escasso, e cerca de 4 meses depois do primeiro suspiro, o LIVRE pode estar à beira de ser legalizado e poder concorrer às Europeias, com candidatos eleitos por primárias abertas, outra estreia em Portugal.
Às vezes as coisas não correm milimetricamente como as programámos, mas essas falhas fazem igualmente parte de um processo que se quer novo e inovador. E para que tenha sucesso precisamos de todos, mesmo dos que aqui e ali discordam.
Gostaríamos que reconsiderasse o seu pedido de renúncia, mas se tal não for possível respeitaremos a sua opção e continuaremos a contar com a sua contribuição que é muito importante para o LIVRE, mesmo que só como apoiante.

Saudações LIVREs

Ofélia Janeiro

A MINHA Resposta à reconsideração de renuncia do Livre

José Paz paz.josefmarecos@gmail.com

13/03
para LIVRE
Grato pela atenção e consideração tal como referi na carta tenho um só rosto o que dei a muitas das pessoas que me confiaram as muitas assinaturas que entreguei ao livre mas como disse no congresso soube como cheguei sei como devo sair uma verdadade me guiou em toda a vida a minha dignidade e o acreditar nas pessoas sinto que o livre começa a seguir um caminho distante da verdade que muitos de nós desejamos ver implantada na nossa democracia. Serei como sempre correcto e respeitarei todos os membros do livre assim como o partido criado .Assumo agora a confiança das muitas pessoas que me tem acompanhado na procura de resgatar a nossa dignidade como seres humanos ,por isso não poderei estar em algo que não vai de encontro as nossas nessecidades mais prementes ,com estas pessoas estamos a formar um movimento cívico que será uma forma de nos mantermos unidos e de trilhar um novo caminho para Portugal feito de pessoas e para pessoas ,quem sabe possamos ter algo em comum no futuro ,por agora não posso nem devo desiludir as dezenas de pessoas que em reuniões em minha casa falei dum projecto de democracia livre mas que não corresponde ao que projectei e transmiti .Talvez seja uma visão minha mas há dois meses que nestas reuniões semanais e numa colectividade de Santarém idealizava-mos formar um núcleo do LIVRE caiu por terra porque fiquei sem argumentos para explicar um programa defendido sem haver entre nós qualquer debate .Assim e perante algumas pessoas que me disseram e com razão que era mais do mesmo que não nos iam ouvir que procuravam apenas um lugar (tacho) e são todos iguais.Não me resta outra alternativa penso que o Livre tem uma batalha pela frente provar não só a mim a muitos portugueses que não e uma franja do Bloco de Esquerda e que realmente vai estar ao lado do povo .Eu tal como fiz quando aderi ao livre informei o meu universo de pessoas que tem a minha amizade que deixara de ser independente agora que volto a essa feliz condição de ser livre públicarei a carta da minha renúncia por considerar ser o certo. Começa um novo caminho aprendi convosco que não devo desiludir nem iludir ninguém espero estar à altura deste novo desafio e quem sabe voltar a acreditar no vosso projecto. Aceito a vossa abertura mas sou desde hoje um simples espectador pois não pretendo intervir na vida do livre sou só mais um.

Muito reconhecido José Paz

CARTA DE RENUNCIA COMO MEMBRO DA ASSEMBLEIA DO LIVRE E DO PARTIDO LIVRE

-------- Original Message --------
Subject: Assembleia do LIVRE
From: José_Paz <paz.josefmarecos@gmail.com>
Date: Tue, March 11, 2014 11:41 am
To: LIVRE <info@livrept.net>



-------- Mensagem original --------
Assunto: Re: Documentos - Assembleia do LIVRE
De: José Paz <paz.josefmarecos@gmail.com>
Para: LIVRE <mesa.assembleia@livrept.net>
CC:

Pedido de renúncia como membro da Assembleia do Livre e também do Livre.

Exm.sr.es/as membros da Assembleia do Livre , eu José Fernando Marecos da Paz membro do Livre desde a sua Assembleia constitutiva ,venho pela presente carta pedir a apreciação ao meu pedido de renuncia de membro quer da Assembleia quer de membro do livre ,ficando assim apenas como apoiante do Livre.
Esperando que encontre por vossa parte essa aceitação , pelos motivos que passo a descrever e enumerar:

1- Não concordo com esta forma de fazer política ,ainda que possa aceitar a limitação de tempo para as eleições a que o programa apresentado e votado diz respeito e que são as eleições Europeias.
1.1- O programa apresentado sendo essencial na política para a Europa ,não responde à ansiedade e a degradação social da vida dos portugueses e dos europeus.
1.2- Não houve neste programa um debate concreto dos conteúdos nele contidos , sendo feitos e apresentados a emendas e depois votadas as emendas sem tempo de consulta e de estudo, votadas depois as emendas de forma pouco esclarecedora , tendo como na última reunião ficou provado muitos membros e apoiantes estarem a votar sem saber o quê, e como se provou num dos pontos de conteúdo ao qual foi dado tempo de leitura e nem se reparou num erro de texto ,e também pelas constantes perguntas de qual era a emenda.Será isto um exercício de democracia sério?
2 - Não concordo com o domínio de conteúdos programáticos que visam em essencial o funcionamento dos mercados ,das instituições europeias, das regulações bancárias e das dividas, do funcionamento e dos regulamentos do parlamento europeu , do funcionamento e criação de tribunais e normas de justiça, de questões de regulamentação de ecologia, e de emprego educação e fiscalização mas num resumo sem conteúdo sustentado e muito residual.
2.1- Não concordo com a fórmula de de utilização e apresentação escrita na construção dos títulos das propostas por palavras que representam uma certa arrogância e um poder que não temos e não está nas nossas mãos, e porque representam uma autoridade que não é própria de uma democracia verdadeira e que foi visível nas emendas a alguns títulos.
2.2- POR isso nas 101+1 propostas palavras como;revogar,excluir ,tirar,acabar, impor, punir, rejeitar,proibir, forçar, garantir, fazer,emitir,efectivar,eleger.....,devem assim ser antecedidas de verbos como:gerar ,criar,propor, realizar,elaborar,combater, defender,organizar,expor.......,e outros que alcancem um âmbito de vontade e do nosso crer ,mas que não nos aproximem das propostas fáceis e demagógicas que são um atentado a capacidade do ser humano de pensar e compreender,aparecendo em muitos casos ser destinadas a analfabetos sem qualquer consciência política.
3- Não há no programa qualquer proposta para resolver problemas imediatos causados por estas medidas de austoridade como os que passo a descrever e enumerar:
3.1-Harmonização fiscal tributária do I V A.
Em matéria fiscal sobre bens essenciais de consumo de primeira necessidade quer a nível energético ,quer de nível alimentar no contexto europeu. Porque razão o iva é mais alto em Portugal, que noutros países da Europa ,quando se exporta electricidade para Espanha. Porque razão um quilo de arroz é mais caro em Portugal que na Alemanha ,quando o nível salarial é um terço do auferido nesses país. Isto teria consequências efectivas nas populações de rendimentos reduzidos.
3.2- Regulação da indústria farmacêutica e do mercado do medicamento.
Quando em Portugal e por toda a Europa ,doenças como a tuberculose ou a depressão mental crescem, e os níveis sociais de acesso à saúde são cada vez mais restritos nos seus cuidados prestados às populações desfavorecidas, com países como Portugal que tem uma enorme dificuldade para adquirir medicamentos a preços verdadeiramente proibitivos ,e com as grandes multinacionais farmacêuticas a revelar lucros astronómicos, sabendo que muitas destas pesquisas de novos medicamentos são financiadas por muitos fundos governamentais, não é admissível que não se regule em favor da solidariedade estes escândalos do lucro fácil em torno da vida. Mais uma vez isto teria efeitos imediatos na qualidade de vida dos cidadãos.
3.3-Demografia e sustentabilidade da Europa.
Em face da desertificação das regiões menos industrializadas e mais interiores e desprotegidas ,que vão ficando despovoadas e votadas ao abandono as populações mais idosas sem condições de saúde e sustentabilidade dos seus bens patrimoniais deixados à degradação e à ruína e em suma de si próprias. Quando se calcula que em Portugal e na Europa em 2035 serão mais os velhos ( população idosa sem capacidade de trabalho) que os jovens em idade de actividade laboral , o que representa um problema de sustentabilidade social da nossa sociedade actual e vindoura, e que já hoje se faz notar com o abandono de aldeias inteiras ,o que demonstra a incapacidade de manter ou refazer esse repovoamento por parte dos governantes e do poder económico e político ,que tem por consequência a concentração das zonas litorais e periféricas de grandes cidades e capitais , aumentando em milhões de seres humanos a degradação das condições de vida o aumento de propagação de doenças, e a consequente marginalidade. Também aqui os efeitos de políticas correctas tem efectivamente melhorias emediatas na vida europeia.
3.4-Economia paralela e fuga aos impostos.
Em Portugal estima-se que a economia paralela se aproxima dos 50% ,na zona europeia que atinja os 60% da receita efectiva declarada.Este estado de economia mina e corrói o sistema económico de qualquer orçamento de estado ,que assim se vê obrigado a repartir uma receita incapaz de fazer face às suas necessidades de investir nos seus país,e fica com um défice de coleta de impostos .Como consequência desse défice recorre ao aumento de impostos sobre os salários e bens de consumo de primeira necessidade bem como de sectores de restauração e combustíveis ,que são a face visível duma falta de política que combata esta calamidade que destrói os valores de justiça ,solidariedade, e fraternidade da nossa sociedade. Assim também isto tem efeitos imediatos e efectivos na melhoria das condições de vida e na recuperação económica das famílias empresas e do estado de qualquer país e da Europa.
4- Como já vai longa a minha carta resta realçar um pouco do que sinto hoje em relação a minha tomada de decisão. Sou de família pobre e humildes trabalhadores rurais ,comecei a trabalhar aos 9 anos de sol a sol recebendo vinte e dois escudos e cinquenta centavos por dia ,andava descalço ,e vestia ou calçava roupa e sapatos que nos davam os nossos vizinhos dos filhos mais velhos que nós, nunca passamos fome e sempre honramos o nosso nome de família da qual se destacam grandes nomes da democracia como Jaime de Figueiredo deputado constituinte da nossa democracia e Leonardo Ribeiro de Almeida ministro do primeiro governo de Cavaco Silva. Sabendo o valor da palavra dada e da honra bem como o da dignidade ,consegui fazer a escolaridade obrigatória, chumbei dois anos na escola primária por isso terminei aos 14 anos e logo comecei a trabalhar em Julho de 1984 fiz o primeiro desconto para segurança social sobre um vencimento mensal de sete mil e seiscentos escudos. Se for vivi em Julho de 2014 farei trinta anos de trabalho . Vim para Lisboa e fiz das artes uma forma de vida independente ,por forma a garantir um vencimento certo que a vida das artes nem sempre garante fiz um curso profissional de motorista de taxi que conjugo com as minhas actividades de arraiolos de que dou aulas ,das feiras de artesanato ,da pintura, de teatro , de fadista e de autor independente e promotor de espectáculos .Se me perguntarem se ganho muito ou pouco , apenas digo que durante estes trinta anos nunca recebi um cêntimo de subsídios que fossem de saúde ou desemprego quer de âmbito culturais na qualidade de autor a que tenho direito consagrado na nossa constituição.Sou independente e contra os subsídios, porque eles são a factor de corrupção dos valores do trabalho e do mérito ou capacidade intelectual, sendo muitos deles atribuídos por favores e lóbi envoltos em intereses que não os culturais. Quando aderi ao Livre foi com a esperança que se devolve-se a democracia ao povo português que luta todos os dias para pôr o pão na mesa. E que tal como eu se levanta as 8h para ir trabalhar e regressa as 23h e ainda assim tem de escolher em comer um bife ou posta de peixe ,para poder dar uma refeição digna aos filhos, ou para pagar um bilhete de um qualquer museu a fim de lhes poder dar um mínimo de educação e cultura ou até de lazer.É com desilusão e alguma magua que pretendo desistir do caminho que iniciei desiludindo os companheiros que me confiaram o seu voto. Mas são valores meus a honra,lieldade, dignidade, justiça e liberdade, por isso votei a lieldade que está contida nos estatutos do Livre. Com a consciência a que a lieldade e a ética me obrigam enquanto membro da Assembleia do Livre. Conclu-o que podendo ser uma voz contestatária e até incómoda ,não devo permanecer nessa função ,limitando-me ao lugar de apoiante em que a minha independência da estrutura do Livre me permite uma maior liberdade de palavra.Assim deixo a vossa consideração, mas tal como Salgueiro Maia que confiou a vida à liberdade e ofereceu o corpo às balas com convicção, também eu o faço por minha convicção de que a democracia deve servir o povo e não o povo servir os seus representantes.Quando digo que sou do povo refiro o conceito criado por uma determinada elite que nos definem como os não qualificados ou profissionalisados ,como se fosse defeito ser trabalhador não técnico ou licenciado,e por tal nos culpa da baixa produtividade do país ,mas ainda não percebeu que o problema está na indústria e nos seus patrões que apostaram nos baixos índices de tecnologia e nos baixos níveis de profissionalização, bem como na precarização e nos baixos salários do trabalho. Antes recuso a ideia de ser um analfabeto ou ignorante por ter a escolaridade que tenho e não um curso técnico ou licenciatura baseado em corrupção de favores e lóbi de influência como os que se conhecem ultimamente.
Agradecendo a vossa amizade e companheirismo ,a vossa dedicação e o vosso empenhamento pelos valores da verdadeira democracia ao serviço de Portugal e da Europa me despeço com consideração. Uma frase de minha autoria tem regido a minha vida com ela fecho esta carta ,ficando a aguardar a vossa resposta com estima e gratidão.

<<Cada um tem o que merece ,eu mereço o melhor ,por isso luto e vivo todos os dias.>>

Saudações José Paz
(Nota-por consideração não irei publicar esta carta no meu blog e no meu facebook enquanto não receber a vossa resposta ao meu pedido.)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Há uma linha que nos separa

O tempo é por contra posição o maior amigo ou inimigo da razão.
Lembrando a inesperada e teatral crise de verão protagonizada pelo sr Paulo Portas ,que não sairá tão depressa do nosso quotidiano político e permanecerá por muitos anos na memória dos portugueses ,a qual juntamos a famosa linha que disse não poder ser ultrapassada ,e acrescentamos a não menos mediática palavra irrevogável.
Se dúvidas havia na forma afirmativa do que deixava entender o seu discurso ,hoje é bem claro que o valor do português utilizado na conjuntura do texto indicava que o não ultrapassável é pois ultrapassável ,e que o irrevogável é assim também revogável.
A famosa linha vermelha existe e está bem presente na memória da história Europeia e na dos portugueses em particular por consequência de uma invulgar falta de preparação e de falta de conhecimento e organização bem como de capacidade de conduzir os destinos de milhões de seres humanos no respeito pela vida e pela inocência de povos pacíficos e solidários nos direitos fundamentais da paz e da liberdade.
Por essa mesma razão milhares de soldados portugueses na inesquecível linha Francesa essa sim bem vermelha ,entregaram a sua vida na defesa de valores inseparáveis da sociedade moderna evoluida que compre a todos nós honrar-mos hoje e sempre.
Mas hoje por consequência de outra linha vermelha igualmente fatal para milhões de portugueses que se vêem despojados de dignidade e de uma mínima qualidade de vida , confinados a uma crescente pobreza de existir ,comprometendo a saúde física,psicológica e moral da sociedade, que se sente incapaz de enfrentar com esperança e confiança o futuro de suas vidas e de gerações vindouras neste país ao abandono governado por sucessivos governos de élites intelectuais de má gestão e corrupção política económica e social do estado , e das instituições democráticas.
Se mais dúvidas houvesse temos por fim a confirmação que esta élite política criada na sombra de um verdadeiro 25 de Abril , apenas renovou a grande irmandade carbonária que minou e destruiu a primeira república e que conduziu Portugal a uma ditadura.
Provado está que estes sócias democratas são um caso irrevogavelmente perdido de democracia social e participativa.
Provado está que a linha vermelha foi ultrapassada e que o português destes senhores não é o português do cidadão comum assente na dignidade no respeito e na honra.
Que afinal estes democratas sociais e populares são um sinônimo de pupolarismo de avidez de poder num desejo liberal cego que ultrapassa todos os irrevogaveis direitos consagrados na constituição que aprovaram mas que hoje querem rejeitar com um objectivo único do puder absolutista e totalitário, desrespeitando os valores inseparáveis da democracia como seja o direito à liberdade .
Do maior partido da oposição fica a questionável firmeza de valores e por conseguinte a incerteza de perceber de lado estão de designada linha vermelha.
Dou outros partidos uma completa utopia de consciência de valores democráticos e sociais que se percebe ser impraticável implementar numa sociedade justa.
Da social democracia cristã nem sinal , mas eu espero que venha de Fátima o milagre da luz , que nos conduza para além da linha vermelha em segurança , e que ilumine estas mentes intelectuais de inação e obscuridade preenchidas por números de uma economia de mercados paralisada escuridão de ideias e idiais de justiça e paz.
E assim citando os evangelhos <<felizes os humildes de coração porque deles é o reino dos céus >> ,que enfim tenhamos a felicidade de ficar bem longe , mas bem longe destes senhores  democratas intelectuais.

      José Paz

terça-feira, 9 de julho de 2013

UM DIA NO PARLAMENTO DE ANTÓNIO SÉRGIO EM 1925

EM 1925 ANTÓNIO SÉRGIO MINISTRO DA INSTRUÇÃO RELATA NUMA PAGINA UM DIA DA VIDA PARLAMENTAR DA ASSEMBLEIA DA REPUBLICA QUE PASSO A TRANSCREVER .


«Revejo a minha primeira ida ao Parlamento como uma tela acinzentada num lusco-fusco da imaginação.Nesse dia ,poucos deputados compareceram na Câmara .Eu via-os de lado ,e de cima .Logo me pareceu o anfiteatro ,com filas concêntricas das escrivaninhas e as linhas linhas concêntricas dos seus degraus ,uma série de costeletas depois de servidas ,mostrando pendentes aqui e além uns pedaços de carne não esburgada ,que seriam os ilustres Pais da Pátria ,a lembrarem no todo da sua atitude a agonia de uma ceia de carnaval ,ás primeiras horas do amanhecer.Erguia-se do fundo daquela modorra ,por sobre o livor das paredes da sala -o vário rumor das conversações.A galeria dos espectadores ,em cima ,vizinha do tecto ,dominava o recinto dos representantes com as bancadas curvas ,quase vazias,assim como um sector de praça de touros antes de os lugares se começarem a encher.Nos homens nenhum apuro de vestuário, nem de atitudes ,nem de expressão.Na imagem brumosa que me ficou da Câmara ,destaca-se um vulto de sobretudo alvadio ,todo espaparrado sobre o seu banco ,com a expressão de tédio de um borguista mole,extenuado ,exangue ,no morrer sonolento de alguma orgia.De perna estendida ,com ar de enjoo encara de pálpebras semicerradas os seus colegas legisladores,dos quais alguns se mantêm sentados,outros de pé ou deambulando ,muitos a falar do que lhes apetece e a abafar a orador que ora -e que ninguém ouve ,nem quer ouvir,nem se sabe onde está,nem o que é que nos diz....Pareceu-me salientar-se sobre toda a Câmara o disco alva-cento do relógio da sala,com os negros ponteiros e os números negros,todo ele gravidade ,todo ele nitidez -a contar as horas que nos estavam levando (a nós ,àquela entrudada , ao país misérrimo ) para um destino incógnito em que ningúem pensa ....Vivo ,resplandecente ,enexorável ,o grande relógio de ponteiros negros ,dominando a Câmara ,era a única coisa regular e certa no meio da relaxação e de tudo mais.....
      «Nisto ,foi dada a palavra a um novo orador .Levanta-se um corpo,desequilibrado e mole;desce, cambaleando,pelos degraus em círculo ;cambaleando se rebola para o interior da Câmara ,de braço estendido como se leva-se um corpo; e ali fica gaguejando frases,diante da tribuna dos senhores ministros.Alguém segredou-me ;-Não parece estar bêbado o homenzinho ?Não parece que está ? Pareceu-me também .Disseram-me depois que na realidade o estava.Que era sempre assim.»

FICAMOS POR AQUI QUEM QUISER PODE SEMPRE LER O ANTÓNIO SÉRGIO ,ENSAIO ,TOMO III,2º ed ,LISBOA ,1937,págs ,231-233

SOBRE ESTE TEXTO À MUITAS COMPARAÇÕES QUE SE PODEM FAZER E QUE NOS DEIXAM A PENSAR SE O NOSSO PARLAMENTO CONSEGUE MERECER MAIS CREDIBILIDADE QUE O DA ENTÃO PRIMEIRA REPÚBLICA .

JOSÉ PAZ
LISBOA 2013

segunda-feira, 8 de julho de 2013

ESTABILIDADE DEMOCRÁTICA

Uma República Democrática ,é um composto de serviços que existem para promover ,defender desenvolver,valorizar ,unificar e consolidar toda uma sociedade que a compõe, indiferente de credos ou religiões,de raças ou castas,de cores ou tamanhos ,de ricos ou pobres,de activos ou inúteis,e ainda de medíocres ou excelentes .
Não pode por isso uma República ser democrática sem haver nela o mais e maior consenso possível ,que contenha em si mesmo o apoio alargado da maioria dos seus componentes cidadãos eleitores.
É pois nessa suposição de uma larga maioria dos seus cidadãos livres e capazes de justa critica e autónomo  pensamento ,fazerem a sua escolha dos seus representantes e governantes da sua livre vontade e crer.
É também neste per-suposto democrático que homens e mulheres se disponibilizam em convergência de ideais políticos ,sociais e económicos ,que julgam servir melhor a sociedade ,e que mediante apresentação de um programa eleitoral ,expõem aos cidadãos a sua vontade e crer em servir todos e não só a maioria que os elege.A sua disponibilidade para gerir os direitos e deveres da sociedade é por isso factor primário de uma escolha e não opção.  
Assim também os cidadãos são chamados a eleger por escolha livre e consciente os seus representantes democráticos ,e não a optar por uns ou por outros por qualquer forma de imposição .
Há por isso na eleição democrática de um governo o dever ímplicito de informar os cidadãos da sua escolha em cumprir ou não o programa eleitoral apresentado e sufragado pelos eleitores chamados às eleições.
É por isto importante realçar que uma democracia representa a livre escolha de um programa definido que visa satisfazer e estabelecer um compromisso para o futuro da sociedade na sua mais básica forma de solidificação ,que é a confiança dos cidadãos na política do seu governo.
Não há por isso solidez nem estabilidade social,económica ou política quando os per-supostos democráticos são sistematicamente violentados por quem os devia cumprir com verdade e rigor.
São pois reais os caminhos que se trilham na implementação de políticas que não cumprem os deveres essenciais da sociedade democrática e que a conduzem em consequentes obstáculos à sua estabilidade.
Não pode assim um governo falar em estabilidade quando o mesmo não é o garante dessa estabilidade ,e quando mendiga ao cidadão sacrifícios em favor de um programa que não cumpriu e o qual alterou sem ter em conta o dever de confiança que se exige na palavra dada pelo voto.
É desta consequência o gerar de uma incerteza ,de uma revolta,de um sentimento de descrença e descrédito da constante afronta da falta de verdade ,que é uma ferida social aberta no seio da população que a sente como injustiça ,e que passa a justificar por uma agitação e manifestação em desagrado por actos e palavras de um crescendo desconforto social generalizado.
É nestes termos importante que os seus governantes saibam e sejam capazes de fazer a distinção da conformidade com a estabilidade.
Uma não pode ser ausente da outra ,para mais quando as duas são vitais para a manutenção da vida democrática e essenciais no estrito cumprimento das obrigações contratuais quer internas quer externas.
 Quando um governante não equaciona o alcance das suas acções e palavras não respeita o seu dever democrático como garante da estabilidade social económica e política .
É portanto legítimo pensar que o mesmo não teve e não tem maturidade para ser um pilar estrutural no suporte de uma governação que se quer rigorosa no estreito cumprimento e respeito pelos poderes democráticos que representam a credibilidade e autonomia de uma sociedade de uma economia e um País.
Afirmo por tudo isto que se é mau pensar e não agir ,é muito pior e de calco impossível agir sem pensar.

JOSÉ PAZ
LISBOA 2013    

quinta-feira, 4 de julho de 2013

UM PAÍS FAZ DE CONTA E UMA HISTÓRIA DE ENCANTAR

NUM PAÍS PEQUENO CALMO E SERENO,DUAS CRIANÇAS ENTRETIDAS BRINCAVAM COM UM JOGO DE CONSOLA JÁ COM UNS ANOS,ATÉ QUE UMA DELAS SE ABORRECEU COM O JOGO E LOGO LARGOU A CONSOLA :

-PEDRINHO NÃO QUERO JOGAR MAIS ESTE JOGO DA BATALHA NAVAL DOS SUBMARINOS !
-ENTÃO PAULINHO ESTÁS A FAZER BIRRA!
-POIS !TU ÉS UM CHATO JÁ NÃO GOSTO DE TI !VOU-ME EMBORA!

O PAULINHO SAIU E FOI TER COM OS SEUS OUTROS AMIGOS A QUEIXAR-SE DO PEDRINHO POR SER UM CHATO E TEIMOSO A JOGAR SEMPRE O MESMO JOGO.
O PEDRINHO PREOCUPADO PENSOU BEM E LEMBROU-SE DE IR VISITAR UM AMIGOS NUM PAIS DE QUE GOSTAVA MUITO E SABIA QUE ELES TINHAM JOGOS NOVOS,E LÁ FOI DE VIAGEM TER COM ELES.
ASSIM QUE CHEGOU OS AMIGOS DEPOIS DELE LHES CONTAR O QUE SE PASSAVA LOGO  SE APRESSARAM A EMPRESTAR-LHE UM JOGO NOVO.
NO DIA SEGUINTE O PEDRINHO VOLTOU E FOI TER COM O PADRINHO PARA LHE MOSTRAR O JOGO NOVO E QUEIXAR-SE DA SABOTAGEM AOS JOGOS DO PAULINHO POR SER BIRRENTO :

-OLÁ PADRINHO .
-OLÁ PEDRINHO !QUE É ISSO QUE TRAZES NA MÃO ?
-É UM JOGO NOVO QUE OS MEUS AMIGOS RICOS ME EMPRESTARAM !
-MUITO BEM !E AGORA VAIS JOGAR COM QUEM ?
-EU GOSTO DE JOGAR COM O PAULINHO ,MAS ELE ESTÁ ZANGADO COMIGO !
-OLHA LÁ ,PORQUE NÃO LHE TELEFONAS E DIZES QUE TENS UM JOGO NOVO !
-TELEFONAR ! MAS ELE GOSTA MAIS DE CARTAS !
-CARTAS ISSO JÁ NÃO SE USA AGORA É TUDO ATRAVÉS DE FACEBOK OU MSS ,FILHO !
-O PADRINHO TÁ ENGANADO ULTIMAMENTE TEMOS ESCRITO TANTAS CARTAS.
-FAZ O QUE TE DIGO !
-O PADRINHO ACHA!
-VAI ,VAI LÁ PARA O ANDAR DE CIMA A TELEFONAR-LHE !
-TEM A CERTEZA!
-VAI LÁ NÃO SEJAS CHATO,PALAVRA DE PADRINHO.NÃO ACREDITAS NO PADRINHO ?
-SIM MAS !
-VAI O PADRINHO NUNCA TE DEIXA FICAR MAL.

O PEDRINHO LA FOI TELEFONAR AO PAULINHO :

-OLÁ PAULINHO!
-ESTOU ZANGADO CONTIGO PEDRINHO JÁ NÃO ÉS MEU AMIGO!
-DEIXA-LÁ ISSO PAULINHO !OLHA EU TENHO UM JOGO NOVO ,QUERES VIR JOGAR COMIGO?
-TENS !ESTÁS A FALAR A SÉRIO ?
-SIM! TROUXE-O DO ESTRANGEIRO OS MEUS AMIGOS RICOS EMPRESTARAM-ME !
-E É BOM ?
-ACHO QUE SIM !VENS VAMOS JOGAR ?
-E COMO SE CHAMA !
- A ROLETA DOS MINISTROS!
-TEM UM NOME BACANO!
-VEM TER COMIGO ESTOU NA CASA DO PADRINHO NO ANDAR DE CIMA TEM UMA TV MAIOR E UMA VISTA MAIS BONITA.
-ESTÁ BEM EU VOU ,MAS SE O JOGO NÃO PRESTAR EU VENHO-ME EMBORA !

ALGUNS MINUTOS MAIS TARDE O PAULINHO TOCA À CAMPAINHA DA CASA DOS PADRINHOS,E É A MADRINHA QUE VEM ATENDER :

-AH !ÉS TU PAULINHO !
-SIM MADRINHA VENHO TER COM O PEDRINHO PARA BRINCAR !
-ESTÁ BEM !ELE ESTÁ NO ANDAR DE CIMA,MAS JUÌZINHO NADA DE ANDAR POR CIMA DOS SOFÁS QUE AS LIMPEZAS TÃO PELA HORA DA MORTE !
-SIM SENHORA !

O PAULINHO LÁ SUBIU AO ANDAR DE CIMA , E O PEDRINHO ASSIM QUE O VIU FICOU TODO CONTENTE :

-OLÁ PAULINHO !
-OLÁ PEDRINHO !ONDE ESTÁ O JOGO ?
-JÁ ESTA LIGADO NA TV,É SÓ PEGAR NA CONSOLA E COMEÇAR A JOGAR.
-SABES SE É FIXE ?
-ACHO QUE VAIS GOSTAR ,VAMOS JOGAR ?
-TU ÉS UM AMIGO, EMBORA LÁ VER ISSO!

DEPOIS DE ALGUM TEMPO A JOGAR E COM MUITOS EUROS JÁ GANHOS E PERDIDOS :

-ESTÁS A GOSTAR PAULINHO?
-ESTÁ MUITO FIXE PEDRINHO !
- BOA ! PORREIRO PÁ !

ENQUANTO ESTAVAM ENTRETIDOS NO JOGO NO PISO DE BAIXO A MADRINHA ESTA PREOCUPADA COM A SILÊNCIO DAS CRIANÇAS :

-Ó ANIBAL ONDE ESTÃO AS CRIANÇAS ?
-QUE CRIANÇAS FILHA !
-Ó ANIBAL TU ESTÁS A FICAR XÉ-XÉ FILHO !OS TEUS AFILHADOS!
-AH ! .... ESSES JÁ NEM ME LEMBRAVA DELES ,ESTOU AQUI NO FACEBOK !
-TU E AS TECNOLOGIAS ! E ONDE ESTÃO ?
-BEM EU ACHO QUE ESTÃO A BRINCAR NO ANDAR DE CIMA !
-Ó ANIBAL MAS AGORA NÃO SABES DIZER OUTRA COISA FILHO !
-QUE COISA MARIA?
-Ó FILHO TU AGORA SÓ ACHAS ,JÁ NÃO TENS A CERTEZA DE NADA !
-SABES COMO É MARIA COM CRIANÇAS GRANDES AS CERTEZAS SÃO SEMPRE INCONSTANTES !
-Ó ANIBAL ,NEM PARECE TEU !AS CRIANÇAS TEM DE TER BONS EXEMPLOS .
-QUE QUERES DIZER MARIA ?
-QUE TU ÁS VEZES ANDAS TÃO DISTRAÍDO QUE ÉS APANHADO A BRINCAR !
-Ó FILHA JÁ NÃO TE LEMBRAS DO DITADO POPULAR !
-QUE DITADO ?
-ORA ,ORA ,!ENTÃO ! DE MENINO A VELHO E DE VELHO A MENINO !
-ESTÁ BEM ESTÁ ! DEIXA-TE-LÁ DE BRINCADEIRAS E VAI VER DAS CRIANÇAS !
-MAS JÁ TE DISSE , ESTÃO NO ANDAR DE CIMA A BRINCAR, A JOGAR CONSOLA NA TV.
-Ó FILHO ESTÁ BEM ! MAS VÊ LÁ JÁ É NOITE ,JÁ CHEGA DE BRINCAR POR HOJE !
-DEIXA LÁ AS CRIANÇAS BRINCAR !
-NÃO SENHOR ANIBAL !VOCÊ VAI LÁ ACIMA DIZER QUE JÁ CHEGA AMANHÃ HÁ MAIS.
-MAS MARIA!
-NEM MAS ,NEM MEIO MAS,JÁ VISTE AO PREÇO QUE ESTÁ A LUZ,ASSIM QUANDO VIER A CONTA NO FIM DO MÊS NEM QUERO VER !
-TENS RAZÃO ,É NOITE E A LUZ ESTÁ MUITO CARA !
-JÁ VISTE ANIBAL POR ESTE ANDAR O NOSSO ORDENADO NÃO CHEGA PARA AS DESPESAS DO MÊS, E LÁ VAMOS NÓS DE TER QUE IR ÁS NOSSAS ECONOMIAS!
-TENS TODA A RAZÃO MARIA !VOU JÁ LÁ,NÃO QUERO QUE ESSES MAROTOS NOS FAÇAM GASTAR AS ECONOMIAS QUE NOS CUSTARAM TANTO A GANHAR.
-POIS É FILHO !E ALEM DISSO QUERO POUPAR PARA VER SE ENCHEMOS O PORQUINHO DE 2013.
-POIS É !POIS É! E QUANTOS JÁ TEMOS ?
-SEI LÁ FILHO !ANDA VAI LÁ ACIMA !
-MAS TU NÃO SABES? ENTÃO NÃO ÉS TU A RAINHA DO LAR ?
-SIM ANIBAL ! VAI LÁ FILHO !
-MAS QUANTOS PORQUINHOS ?
-Ó FILHO ,UMA POCILGA CHEIA !
-BOA MARIA ! EU SABIA ! EU SABIA !
- Ó HOMEM ! MAS SABIAS O QUÊ ?
-QUE PARA SE TER UMA BOA ECONOMIA É PRECISO PERCEBER DE AGRO PECUÁRIA !....


JOSÉ PAZ

NOTA : ESTES TEXTOS TEM DIREITOS DE AUTOR RESERVADOS MAS SENDO EU O SEU AUTOR AUTORIZO A SUA LIVRE DIVULGAÇÃO . .  

 

Bom dia...