sexta-feira, 4 de julho de 2014

Emprego e Desemprego , Ética e Moral

Estar desempregado não pode , nem deve ser , estar parado.
Ficar sem trabalho , sem emprego , é algo que hoje está no horizonte , e cada vez mais no presente de milhares de trabalhadores . Os preceitos de trabalho são hoje muito diferentes dos conceitos estabelecidos no início do século XX .
Hoje as empresas não tem uma durabilidade de constante crescimento , e à uma mutualidade de factores em completo movimento no mercado global , que tem uma volatilidade própria , que destrói e constrói empresas em minutos .Deste universalismo há uma nova geração de empresários que valoriza o imediato , o urgente , o agora , o acaso e a ocasião .
Na constatação da contratação de novos trabalhadores a prioridade é a mobilidade o sazonal , o temporário , o emprego criado com objectivo fixo de rentabilidade , e o custo de produtividade aliado a uma rotatividade com redução de salários e direitos laborais , e garantias de trabalho ou de trabalhadores , aliando a isto uma exigência e rigor técnico-profissional , com critérios de ética e moral muito restritos e definidos na contratação .
Para quem fica no desemprego ou para que procura o seu primeiro emprego , tem uma tarefa árdua e difícil , têm que se dedicar 8 horas por dia , 7 dias por semana , 30 dias por mês , têm de procurar trabalho , uma fonte de rendimento próprio , que lhe permita uma receita e um mínimo de independência e sobrevivência no seu quotidiano diário .
Não podemos ficar em casa à espera que nos venham buscar , que nos contratem ou ofereçam um rendimento , ou sequer que nos ajudem pela nossa inactividade.
Escrever um percurso académico e laboral , descrever as nossas capacidades , os nossos conhecimentos , experiências , referências ,o que significa fazer um currículo , que é necessário e indispensável , onde quer que se vá procurar trabalho .
Na internet há alternativas de empresas sérias , que procuram pessoas activas , dinâmicas , inteligêntes , essas pessoas capazes e que por isso estão à distância de um clik ou email . Por isso procurar conhecer pessoas , sítios da internet , enviar perfil pessoal , visitar  saytes , fazer comentários nas áreas da especialidade em que nos propomos alcançar trabalhar , é não só um dever como o chamado trabalho de casa ou que hoje se define por ( network ).
Depois há sempre a nossa atitude de criar de gerar conhecimento , alguma coisa que gostamos que temos por ( lobby ) ocupação de tempos livres , que saber fazer , que é do nosso domínio , da qual gostamos e estamos integrados no seu funcionamento , aí está uma oportunidade de possível investimento pessoal de fazer dessa nossa aptidão um possível negócio ou trabalho próprio , num projecto de vida a desenvolver e dinamizar .
Lembro aqui a título de exemplo um jantar com amigos no Chiado-Lisboa , onde uma senhora jovem se aproximou de nós e perguntou se podia ler uma poesia sua , entre a primeira reacção de estranheza e de espanto , cedemos a essa oportunidade de ouvir a Poeta ler o seu poema , de um folheto A4 ,dobrado e a cores leu um poema e depois de finalizada a leitura sugeriu que lhe adquirisse-mos um folheto seu personalizado com os seus poemas por dois euros ( 2 € ) , eu adquiri um e outro amigo outro . Depois seguiu para outra mesa , entre os não e os sim , esta jovem Poeta não se  fechou à procura de uma solução para obter uma receita para viver , e quem sabe encontre até uma oportunidade de conseguir um trabalho efectivo dentro das suas expectativas de vida .
Ela na verdade está a por em prática a sua vontade e crer , mas esta é a diferença entre a nossa actividade ou inactividade perante a vida . Isto requer muita força de vontade , alegria , confiança , paciência , e espírito de sacrifício e luta diária .
A crise é global , mas na realidade ela afecta individualmente cada pessoa , cada família , e cada comunidade , na perda da sua qualidade de vida , na sua autoestima , na sua confiança e esperança , no seu próprio conforto socioeconómico , ético e moral .
Mas como há sempre um ( mas ) , a culpa não é apenas e só da crise e da globalização da economia e do universalismo da sociedade em exclusivo .
Na verdade todos nós somos seres humanos com capacidade de acção e decisão por atitude e pensamento , e como tal com iguais responsabilidades activas de fazer as nossas escolhas , e porque pessoas sem critérios e sem ética , sem opiniões próprias , permitem que uma élite política e governada pelo poder económico , esta élite manipule toda uma sociedade.
Basta pensar , afinal quantas éticas existem ?
A minha ética não é igual à da minha família , a ética da minha família não é igual à de uma empresa , a ética de uma empresa não é igual à de um mercado , e a ética de um mercado não é igual à de um governo , nem a ética de um governo igual à de uma sociedade .
Neste campo há um marco basilar que a sociedade deve colocar na construção de um governo e na constituição de uma governação e que são valores éticos e morais .
Agora que tanto se fala em solidariedade , em igualdade , em tolerância , em direitos humanos , somos confrontados com o código de ética governamental , cada vez mais assente em favores e lobby , um conceito de influências baseado em corrupção passiva e activa , qual Estado carniceiro filiado num ( Partido Qualquer Coisa ) , com procedimento regimentar de mercados económicos globais .

Quero salientar que por definição ética é , << aquela parte da filosofia que por objectivo tem o estudo moral das obrigações dos homens >> .

E no respeitante a moral , << que esta se refere às acções das pessoas no ponto de vista da bondade e da maldade do ser consciente dos seres humanos >> .

Em síntese actuar em função desse nosso saber ;

Eu sei o que é bom e faço !

Eu sei o que é bom e não faço !

Eu sei o que é mau e faço !

Eu sei o que é mau e não faço !

Em resumo , << não faço o que sei , não sei o que faço , ou devo fazer , ou não devo fazer , nem sei o que se passa comigo , ética ou moral , afinal tudo o que faço e não faço é bom e mau , conveniente ou inconveniente , um resultado do bem e do mal .>>

         José Paz
     Texto do autor
Lisboa 4 /07 / 2014

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Orçamento de Estado Simplificado

Comecemos pelo princípio de explicar em linhas gerais o funcionalismo de gestão do Orçamento de Estado .
O Estado tem no seu orçamento a Receita e a Despesa .
Ora se as receitas forem iguais às despesas , diremos que há um equilíbrio orçamental .
Mas se pelo contrário  as receitas forem superiores às despesas , então temos um superávit .
Mas se as receitas forem inferiores às despesas , facilmente deduzimos que temos um défice .
As Receitas do Estado ;

1- impostos
2- fundos de investimentos activos
3-nacionalizações e vendas de património
4- venda de títulos de tesouro ou divida ( recurso à emissão de dívida , créditos )

As Despesas do Estado ;

1- funcionamento geral do Estado ( sector público )
2- investimentos públicos
3- apoios à indústria
4- apoios à cultura
5- apoios acção social
6- obrigações internacionais
7- juros de dívida

Por regra o Orçamento de Estado são elaborados no último  quadrimestre do ano visando um plano concreto de Receitas e Despesas para o ano civil seguinte .
Se houver um equilíbrio de contas ,o que significa receita igual a despesa , então o que há a fazer é melhorar o conhecimento do funcionamento do Estado por forma a optimizar os seus recursos e recuperar capacidade de produção efectiva a fim de aumento do seu desempenho e redução de custos .
Havendo uma receita superior à despesa ,temos um superávit , significa uma real eficiência económica e prudutiva . Têm o Estado o dever de garantir um uso adequado desse excedente , quer por investimentos de retorno activo a curto ou médio prazo , que resulte numa rentabilidade ao País ,e seja uma efectiva melhoria de vida dos seus cidadãos .
JÁ sendo o caso de haver uma receita inferior à despesa , temos um défice , o que significa a necessidade de reestruturação de todo o funcionamento do Estado , da revisão dos seus problemas de gestão , de redirecionamento de investimentos públicos e apoios à economia , e de um ajuste do posicionamento económico e social do Estado .
Simplificado o conceito de formulação de um Orçamento de Estado , vamos atribuir por exemplo à Direita a Receita e no oposto à Esquerda a Despesa .
Na Direita pomos o Activo , e na Esquerda pomos o Passivo , fazemos a subtracção simples ;

DA - EP = 0 ( resultado activo/passivo , nulo )

DA - EP = 1+ ( resultado activo/passivo , positivo )

DA - EP = 1- ( resultado activo/passivo , negativo )

Não há pois qualquer circunstância que impossibilite o cidadão comum de perceber o funcionamento da construção de um Orçamento de Estado , pois ele se resume a ;

Receitas fixas , e variáveis de desempenho económico , e extraordinárias ;

Despesas fixas , e variáveis de desempenho estrutural , ou extraordinárias ;

Na prática a equação simples do confronto da realidade Receita / Despesa , é o resultado da constatação do Estado Económico e Social de um País .
Desta equação podemos sempre avaliar a necessidade de fazer uma reestruturação do funcionalismo do sector Estado no seu domínio público e socioeconómico , que com transparência e verdade assente na sua viabilidade ou inviabilidade de execução .
Tem o Governo de um Estado a obrigação e dever de constituir um Orçamento com rigor e que seja um garante de estabilidade e respeito dos poderes instituídos . Mas também o dever de investir e dinamizar o seu tecido socioeconómico público e privado , garantindo sempre a salvaguarda dos seus interesses bem como os dos cidadãos , fazendo um gestão com critérios rigorosos dos seus recursos e das suas receitas , bem como dos seus propósitos e despesas de orçamento efectivo disponível .
Por regra podemos sempre dizer  ( ad infinitum ) ,ou seja de onde não há não podes tirar , e por conseguinte dar um passo maior que a perna , que é ( in aeternum ) , ou seja perlongar no tempo uma gestão ruinosa e até criminosa , que conduz a sociedade numa regressão social , económica , e moral , e reduz a economia de um país a níveis de insustentabilidade  produtiva , incapaz de recuperar níveis de riquesa para gerar emprego , e capacidade de consumo que devolvam a dignidade a um Povo e um País .

Nota; Não estão na Receita do Estado  os fundos de apoio Comunitários , porque os mesmo são específicos e têm fins concretos , que não sendo utilizados terão de ser devolvidos . Mas são um investimento efectivo com proporções económicas elevadíssimas , por isso requerem um rigoroso estudo de impacto nos projectos aos quais forem destinados , tendo crucial importância na equidade da redistribuição da economia global do País .

     José Paz
  Texto do autor
Lisboa 3 / 07/ 2014

domingo, 15 de junho de 2014

Renúncia uma razão de ser Livre

Agostinho da Silva;
1_" liberdade só se pode perder por um acto supremo de liberdade ; o de renúncia "
2_ " a liberdade só existe quando todos os nossos actos concordam com o nosso pensamento"
3_ " não me interessa o original ; interressa-me o verdadeiro "
4_ " se me julgas te julgas por me julgares "

A influência do pensamento europeu nos domínios ético , metafísico , lógico e científico , deve-se em grande parte à cultura Etrusca , Estóica , Helénica , e Romana , mas também ao grande berço da civilização que é  a Suméria .
O filósofo Demócrito deu conta desse sentimento de pensamento quando escreveu que a felicidade e a tranquilidade da alma , só é possível aos que souberem evitar os grandes problemas e se manterem fiéis à condição humana .
Já na cultura inscrita em Delfos para se edificarem os fiéis , aconselha-se o nada de excessivo , e o repúdio das aspirações desmedidas , bem como ambições elevadas .
Tudo começa com a reflexão do mundo , o que há no domínio do Ser visível ou invisível . Assim tal como na religião não há diferença entre o divino e o humano , pois que são apenas os degraus do Ser de modo algum heterogêneos.
O Divino pertence à Natureza , à Physis , ou seja à dinâmica mesma do Ser , seja humano , animal , planta , ou coisa .
Nas várias direcções possíveis para procurar a solução do problema uma delas está indicada na análise matemática e geométrica do conhecimento do Mundo .
Negar a possibilidade do ser Humano aplicado ao Mundo ,
é reduzir as suas limitações e as suas ignorâncias  como consequência das suas razões .
Assim ler Agostinho da Silva é viajar no Mundo da Filosofia que nos levará até aos nossos primórdios da civilização e da consciência política , económica e social .
Assim é importante saber que o grande rei  da Babilónia Hamurábi há 3 mil anos mandou escrever o primeiro código de leis universais que visava ordenar e definir o governo e a organização da sociedade . O citado código definia a sociedade em três classes ;
- homens livres ( awilu )
- subalternos e inferiores ( muchkenu )
- escravos ( kenu )
O referido código serviu de base as leis e vigorou para as sociedades seguintes mais evoluídas , que foram adaptando muitos dos seus preceitos , servindo na base de influência na cultura Helénica e na própria cultura de berço da democracia da sociedade moderna .
Este código vai ter influências no código canónico e mais tarde no grade código de leis de Afonso x o sábio  que foi transcrito por D . Dinis  , e com todos os ajustes e consequentes alterações vigora até hoje em muitos aspectos na modernidade do século XXI .
Mas o pensamento e a cultura não são estanques , o universalismo do ser humano transporta consigo a transmissão de identidade e conhecimento , vejamos pois o pensamento de Confúcio e encontraremos um registo filosófico interessante a este exemplo ;

" a conformidade com ela é o dever , o meio de a conseguir é a educação " .

Mas podemos ainda viajar no Oriente mais para perto do que já foi um dia um pouco de Portugal , assim visitar a cultura Budista nas suas 4 verdades sagradas ;

" a existência é o sofrimento , a origem do sofrimento está nas paixões , para eliminar o sofrimento é necessário suprir as paixões , para suprir as paixões é preciso usar de disciplina , que controla a vontade , a palavra , as acções , a intuição , a maneira de viver , as aspirações , o pensamento e o poder da concentração " .

E agora viajamos até Sócrates um dos sábios do berço democrático ;

" ninguém é mau voluntariamente , sendo o mal sempre consequência de uma ignorância ou de um erro que obscurecem a inteligência " .

Neste último eu encontro a finalidade deste texto , porque também ele renunciou à vida bebendo sicuta , para não sofrer a desonra e a indignidade pública .
Assim encontro na 1a frase de Agostinho da Silva a consciência da verdade que vêm depois na 2a , na 3a , na 4a frase que são base deste meu pensamento e texto .

Digo ; se o teu conceito te define perante a sociedade , e na presença da liberdade do outro , não consegues renunciar ao teu conceito definido , então condicionas a tua liberdade e a liberdade do outro , e não há senão o poder supremo da recusa de ser livre .

Assim sendo discípulo  confesso de outros grandes pensadores tais como St. Agostinho , St. Tomás de Aquino , padre António Vieira , Confúcio , Buda , Sócrates , Platão , Demócrito , Eurípedes , Homero , Otariano ,e outros , e também Agostinho da Silva , não posso deixar de realçar  que a renúncia é um acto de humildade e nobreza de carácter , de independência de crítica e pensamento , bem como a verdade e o respeito por nós e pelos outros , nas nossas igualdades e diferenças .
Assim termino este texto com esta minha reflexão e afirmação ;

" a renúncia é a dignidade de ser livre na nossa condição de existir e resistir " .

               José Paz
         Texto de autor
Lisboa 15 / 06 / 2014

terça-feira, 10 de junho de 2014

No Limiar Da Pobreza Intelectual

Quarenta anos volvidos eis que estamos enfim presentes sobre o maior retrocesso da educação de um pais , e da sua capacidade de autosuficiência produtiva e económica  . Em 1973 a capacidade produtiva de Portugal era superior a toda a Europa e a quase todo o mundo situando-se em cerca de 9% ao ano , no ido ano de 1970 tinha sido introduzido o 13 mês , o turismo representava um valor de 30% das exportações portuguesas , terminava assim o período de ouro de Portugal que ao abrir-se à economia mundial enfrentou realidades destintas de conhecimento e desenvolvimento global , avizinhava-se a contestação , os movimentos estudantis , os movimentos populares , as contestações militares , a descolonização do vasto e desgastado império português .
Quem ensinou esta classe política o que era Portugal antes do 25 de Abril de 1974 , como era , quem é o seu povo desde o Algarve ao Minho , da Madeira e dos Açores , e claro do que foram as colónias e quem foram os milhões de portuguêses que foram abandonados , despojados , vilipêndiados , recebidos em Portugal como refugiados , quando na verdade eram tão portugueses quanto os que cá estavam , os militares e famílias destroçados por uma guerra sem pátria , que nunca lhes devolveu a dignidade da vida perdida.
Se no famoso triunvirato dos três generais reunidos em Santarém nos idos de 1923 de onde surgiu o nome do promissor professor Oliveira Salazar para fazer pela primeira vez parte do governo que sairia dessa reunião o sr Dr. Desconhecido viria por fim a assumir em 1926 o destino da Nação e da qual resultaria a ditadura até  1974 .
Não serviu pois a ditadura para os portuguêses , afinal no seu melhor e pior pesa na balança , a criação de escolas , de hospitais , de tribunais , por todo o país , o incentivo ao trabalho , ao cusumo do que é pruduzido no país , a um desenvolvimento crescendo de indústria e à não entrada na segunda guerra mundial , no sentido oposto uma repressão do conhecimento , uma repressão na industrialização , uma concentração dos latifúndios , os baixos salários , o acesso reduzido à escola e às universidades , a senssura , a perseguição , e uma guerra sem fim , que consumia vidas e dinheiro , que levou milhares mesmo milhões de portuguêses a imigrar .
Assim fez-se um 25 de Abril também ele nascido em Santarém , grande cidade de idiais republicanos , e o que foi feito ao longo destas quatro décadas.
Desmantelamento do país do progresso , na cultura instalou-se a estupidificacão da sociedade com uma programação da mais baixa moralidade , e instruísse a sociedade jovem na ideia do valor reduzido da vida , da família , da escola , do trabalho , criou-se a ideia do fácil ,do dinheiro sem identidade , sem valor , sem mérito , tendo até existido a ousadia de trazer um pelintra qualquer a fazer crer aos jovens e à sociedade que vendendo pipocas numa qualquer superfície comercial se podia conseguir construir um futuro , pior esqueceu-se de dizer que um metro quadrado pode custar 250€ o que muitos tem para comer num mês inteiro ,sabendo que têm de trabalhar 22 dias para ganhar 485€ , mais grave é saber-se que tal representa uma afronta a todos os que fazem um esforço durante anos para conseguirem formar os filhos , e vêem estes vendedores de ilusões , contratados por outros iludidos doutores da intelectualidade moderna , trazer ao país a face oculta da corrupção dos valores morais , culturais , e cívicos de uma sociedade desenvolvida , e que não pode estar a ser governada por uma elite cosmopolita , que vive rodeada de uma corrente de favores que minam toda uma sociedade e todo um pais , e toda uma Europa .
Algum sr deputado ou membro do governo sabe quais a capacidades agrícolas das planícies Alentejanas , ou das terras Mirandesas , ou da região mais rica do vale do Tejo , algum daqueles doutores sabe quando se apanha a azeitona Vidigueira , ou em Mirandela , algum daqueles economistas sabe quanto custa um quilo se pêras na Estremadura , ou um quilo de figos no Algarve , algum daqueles engenheiros sabe quanto rende um rebanho de ovelhas na Beira Baixa , ou a produção de uma vacaria nos Açores , algum destes sociais democratas sabe quais as necessidades dos idosos de Bragança ou dos da Ponta do Sol , sequer sabem onde vivem os Nabantinos , ou os Albicastrenses . São sem dúvidas eleitos por todo um povo sabem que vivem em Portugal , que há um rio que passa em S. João das Areias , e outro em Avô , que há uma serra e um vale , que há sobreiros no Alentejo e Castanheiros em Trás-os-Montes , mas na verdade são licenciados em regalias e subsídios , são mestrados em gabinetes e acumulação de cargos , doutorados em vencimentos e pensões vitalícias , e sabem que da justiça dos pobres não padecem os ricos .
Mas para que saibam hoje o poder de compra de um português é inferior em 40% ao que tinha em 1970 , que a taxa de imigração e idêntica à da década de 70 , que a taxa de desemprego é superior em 14% à de 1970 ,  que neste ano os Aba lançavam a canção com o meu nome e que em 1974 eu tinha 4 anos comia papas de minho , bebia leite tirado do balde da ordanha da cabra com as velhas canecas de esmalte , dormia em cima da palha de milho que alimentava a vaca , comia a brendeira quente saída do forno com azeite ou mel , que não havia televisão , nem frigorífico  , mas havia um grande alfobre de alimentos e uma salgadeira cheia de carne coberta de sal , um talha de barro cheia de azeitonas e outra de alumínio cheia de azeite , um fumeiro tapado de chouriços de farinheiras , morcelas ,que podia correr livre , deixar a porta aberta , e ter um colo para me adormecer .
Havia acima de tudo gerações que se completavam e se ajudavam e respeitavam , havia serões cantados e chorados , mas havia um sonho havia um Portugal a nascer para uma vida nova de esperança e paz.
Assim quando olho para os nossos governantes e políticos , olho para o meu país interior aquele que eu vivi , e para o que hoje vivo e ninguém me convence de que estamos melhor , porque só pode estar melhor quem governa para si e para os seus e não para o país .
Defino assim a nossa elite politica e cosmopolita na frase seguinte que não é mais que a visão de um poeta romântico que ainda acredita na verdade da democracia . 
Digo << são como ovelhas tresmalhadas vagueando em campos baldios , e que ao passarem espalham as sementes daninhas em terras férteis , por mais que comam não engordam porque delas se alimentam os parasitas que as fazem ser meras ovelhas ranhosas , caminham sem rumo porque lhe falta o bom pastor .>>>

         José Paz
Texto de autor
Lisboa 10 / 06 / 2014

domingo, 8 de junho de 2014

Um Novo Poder Global

Carece a democracia do velho continente Europeu da sua glória de outros tempos em que tinha o domínio moral político. Agora esse domínio moral já deixou de o ser , do seu vasto império de predominante influência já pouco resta , a sua estratégia de aliança com os USA , perdeu o folgor e o vigor de outros tempos . Os tratados transatlânticos tem hoje uma importância fundamental para a Europa , sim mas só e apenas para a Europa . Os USA à muito que concentram a sua atenção e as suas políticas no continente Asiático .
Desde finais de 1990 , que a diplomacia Americana concentra toda a sua política nos novos países democráticos Asiáticos , como Índia , Japão , Coreia do Sul , África do Sul, Angola , mas não apenas nestes , pois a China não sendo uma democracia , é há muitos anos parceira dos USA em economias como as da América Latina e em especial Brasil e também Africa como é o caso de Angola .
Estará a Europa perdida da dimensão global da económia , terá a Europa percurso definido para acompanhar os USA nos seus tratados trans-pacíficos ou trans-índicos, ou terão as elites perdido o caminho da constante mutação das economias emergentes .
Estariam os poderes políticos europeus convencidos que seriam senhores do mercado cambial , que a força do euro podia dimensionar as transacções do comércio mundial.
Alguma vez pensaram as elites europeias desde 1945  que a criação do FMI teria a mesma política para a Europa e para a América .
Como julgaram desde a década de 2000 , início do século XXI , que funcionariam os mercados de valores monetários , e imobiliários ?
Agora que tem uma importância crucial o tratado transatlântico , com que poderes se arrogam os mentores da união europeia nas negociações com a América .
E como advogam uma defesa nas actuais circunstâncias da democracia Liberal da velha Europa para negociar com as novas democracias emergentes .
Portugal quer possuir a maior plantaforma marítima a nível europeu e mundial , 97 vezes superior ao seu território terrestre .
Muito mar , um enormidade de um império de mar do qual nos podemos honrrar pois se fomos dos grandes descobridores do mundo que triunfantes passea-mos as novidades do nosso império em Roma perante os olhares sedentos das nossas descobertas que a ganância de tantos desta Europa nos saquearam desde então , se após a morte de Sidónio Pais , e o fim da primeira guerra sobre o triste poder negocial de um tal traidor Afonso Costa , fomos igualmente saqueados do que nos era devido , somos hoje novamente saqueados por um governos de subservientes liberais que se vergam em troca de um qualquer cargo político .
Assim terá Portugal e esta Europa alguma possibilidade de voltar a erguer este continente e países das devastadoras políticas imperialistas dos novos colonizadores .

       José  Paz
  Texto de autor
Lisboa 8 / 6 /2014

terça-feira, 27 de maio de 2014

A Subversão dos Resultados e o Futuro

Como em todas as campanhas de eleições , na hora da análise dos resultados cada um faz as suas contas e leituras .
Interessa pois perceber que nos três partidos do arco da governação a distribuição dos 20% dos votos  escrutinados representa uma diferença de 4% entre a coligação de governo e o maior partido da oposição PS .
Assim o sr Seguro fez a festa , deitou demasiados foguetes e recebeu demasiados aplausos , foi longe no seu discurso e esteve longe da realidade , já a coligação optou por comparar resultados entre eles ,para assim disfarçar os números da derrota .
Não é pois de estranhar que já se perfile as substituições dentro do partido PS , e que os PSD e CDS façam uma festa com a desorientação que reina pró lado do Rato .
Se há algo a registar nestas eleições é uma clara demostração de descontentamento e uma crescente desconfiança nos actuais políticos , que representam as possibilidades de governação à esquerda e à direita . Também nos votos em branco e nulos 8% há uma grande representação do descrédito no poder político . Na CDU a subida é natural e advém de um discurso constante que acolhe junto da população conservadora o firmado voto de repúdio e descontentamento das actuais políticas .
No caso MPT do sr Marinho , a questão é bem o discurso fácil e convincente no momento , feito de populismo e que vai ao encontro de classes que tem sofrido na pele a força dos cortes e perdas de rendimentos , que são reformados , comerciantes , trabalhadores independentes e liberais , e classe média-baixa em geral .
No caso do BE têm uma consequência diversa começando logo pelas fracturas que o partido sofreu e representam a dispersão do seu eleitorado por três forças partidárias , a sua , a do MAS e do LIVRE , e ainda uma liderança a dois que não favorece uma unidade e não confere uma dinâmica única que cria a ideia de divisão na opinião pública .
Quanto ao MAS está quase no perímetro da subsistência dos eternos partidos políticos de valor residual sem um programa verdadeiramente capaz de oferecer uma alternativa política .
O LIVRE por sua vez sendo a primeira campanha eleitoral em que se apresenta ao eleitorado têm um resultado satisfatório e oferece uma alternativa dentro dos novos partidos sendo que é na realidade o mais novo , talvez por isso não tenha sabido abrir-se a população e convocar mais a participação dos seus membros na hora de passar a sua mensagem .
Revela -se assim um novo panorama político e como consequência uma grande incerteza quanto ao futuro político na constituição de um governo nesta manta de retalhos tão dispares e opostos a conseguir convergir em consensos .
Agora começa a verdadeira política que deve renascer das cinzas , da ruína em que estes últimos 8 anos dizimou o tecido económico e social do país .
É preciso que se apresentem propostas concretas e sérias de rigor que sejam a alternativa credível a submeter a sufrágio nas próximas legislativas .
Considero que se devem começar a organizar um conjunto de políticas que possam conduzir o país no progresso e na construção e consolidação do emprego e do rendimento salarial das famílias e de todos os trabalhadores .
A necessidade de uma política que seja o garante da equidade e solidariedade entre gerações , de forma a desenvolver a dignidade do ser humano e das populações mais desfavorecidas ,    que seja uma profunda reestruturação dos valores  da sociedade , que possa repor em condições de igualdade os cidadãos , e promova a qualidade de vida na infância , na juventude , na idade adulta de construir família e por fim na velhice .
Uma política que devolva a excelência no profissionalismo público , com remuneração adequada e progressão de carreiras , que recompense o mérito a permanência assídua , bem como a exclusividade em sectores como os da justiça , da saúde , da educação ,e das autoridades civis e militares , e também nas forças armadas , sem esquecer os altos cargos públicos do sector estado .
Uma política que promova a profissionalização e especialização dos seus sectores académicos , e técnicos industriais  , e dinamize os sectores estratégicos da economia como o turismo  , o mar , as energias alternativas , que reabilite a sua indústria de construção civil , e metalúrgica , que incentive e acentue a qualidade e excelência das exportações de tecidos empresariais como das novas tecnologias , dos têxteis , calçado , mobiliário , entre outros que pela exceção são um valor acrescentado na nossa presença na economia global.
Uma política que recupere os sectores das pescas , e construção naval , e por fim uma política agrícola forte na implementação da agricultura como forma de sustentação e autosuficiência alimentar de bens primários como os ceriais .
Requerem os tempos presentes que todas as políticas promovam e intensifiquem o combate a desertificação , e a baixa natalidade , que se construa um sociedade que encontre na qualificação e criação de emprego uma política de apoio à família e a fixação das famílias nos seus meios rurais onde encontrem os bens e serviços essenciais a uma vida de comunidade com todas as as condições de usufruir dos mesmos direitos em resultado da sua interioridade em desfavor das concentrações no litoral e das grandes cidades .
Não posso deixar de referir a cultura e as artes esse parente pobre dos orçamentos , mas que representa um valor acrescentado na economia do país , embora sendo auto-construtivo e auto-criativo merece uma cuidada política , sendo certo que uma sociedade em progresso e com melhores  condições sócio-económicas tem pois mais tempo para crescer intelectualmente e culturalmente .
No contexto global e em particular da Europa e de Portugal a governação das políticas deve surgir por forma a sustentar a autonomia e independência económica e social do país e das populações , e recuperar as famílias e as melhorias de vida .
Há uma questão que se sobrepõe a todas as politicas essenciais , e que se prende com uma possível e necessária renegociação da dívida , é preciso pensar a dívida o seu peso no futuro do país e a capacidade de recuperar a economia do país e o poder de compra do povo .
A exigência agora é da competência , da responsabilidade , do profissionalismo , de homens e mulheres capazes , com uma visão de futuro , e a forte determinação e convicção que há um caminho alternativo , uma estratégia e uma vontade  de empreender uma política ao serviço de todos e pelo bem de todos , que mobilize a sociedade e a reúna em torno de um bem comum e de um futuro melhor com oportunidades iguais , que promova o cidadão e o integre na vida activa e cívica da sua comunidade e do seu país .
Este acredito eu deve ser o sentido das políticas do século XXl na defesa dos valores da democracia , da liberdade , da igualdade , e da solidariedade nacional e europeia .
        José Paz
     Texto de autor
Lisboa 27 / 05 / 2014

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Uma Vez Europa !

 Uma Vez Europa ! Europa Sempre !

Este podia ser o slogan de uma qualquer campanha de um partido político , o de um qualquer candidato à Comissão Europeia . Mas não o é . É sim um pensamento de um humilde cidadão europeu , sem qualquer curso universitário , ou título académico , e ainda sem formação política , enfim eu um perspicaz espectador , um assíduo observador , e um atento e dedicado pensador .

Será a Europa uma formação unitária política possível ?
Se olharmos a Europa saída da ll Guerra Mundial , encontraremos três blocos de Europa ; uma a Europa dos países totalitários , a outra a URSS que se formava um bloco sustentado a cavalo em dois continentes , e o terceiro bloco o das velhas e tradicionais pátrias Europeias .
Foi sempre um problema político , avançar para a união destes três blocos , e mais difícil lidar com eles estrategicamente .
Em meados do século xx uma aliança como que uma balança ! Sim uma balança que se propunha a equilibrar as políticas da futura Europa .
Tratava-se de um consentimento , de um boa vontade e de ampla colaboração política .
Mas a balança Europa , terá alguma vez tido maior inimigo que a política dos grandes estados .
Levantaram-se as cismas e questões ; balança política ? Mas de quem e de quê ? Só Europeus ?
Ora logo aqui se destrói o quadro Europeu , sob a pressão das forças contraditórias que minam o domínio político , e também o cultural e económico . O problema da Europa era restabelecer ou repor a ordem , a paz , a confiança , a liberdade e democracia , numa política feita inquietação e sem a lealdade da unidade Europeia .
Foi assim o efeito dos visionários , dos higienistas , que tendia em alargar os limites da vida dos povos , da capacidade e esforços dos políticos e das políticas , e enfim os da Europa ! Sim fazer essa tal Europa .
Seguindo a chave mestra , é possível e concebível uma boa fórmula , a fórmula da salvação ?
É possível e concebível fazer do caos das nações , das rivalidades , das eriçadas armadas ,das destruturadas social e económicas sociedades uma única Europa ?
É concebível a Europa a nível de instituição política , ou organização de super-estado ?
É concebível uma Europa política que se sobreponha às nações-estado , e consiga criar províncias de um grande Estado Europeu ?
É por fim concebível o velho ideal saído da reconstrução da Guerra , de um Estado Unificado , ou os Estados Unidos da Europa ?
A realidade dos efeitos ao lado dos interesses materiais , a identidade das tradições políticas , eu apenas vejo nesta Europa das realidades deste tempo , as sempre inquietantes diferenças que fazem a sua instabilidade , e que são as nações-estado a evidenciar as desigualdades no desiquilíbrio da balança política .
Quem até hoje fez a sua história e sua análise-síntese das políticas culturais e estruturais ,
alguém ? Nunca ou quase nunca !
Com efeito no dia que os governos deixem o seu individualismo , e compreenderem as necessidades de olhar a Europa não como um conjunto de Estados , mas como um Estado
único , então encontrarão por certo as pontes que liguem os rios das várias correntes de pensamento político para voltar a erguer os verdadeiros ideais Europeus .
É preciso repensar a Europa das élites e devolver a Europa aos povos , é preciso procurar estas respostas ;
 - O  que aconteceu à revolução industrial da Europa ?
- O que restringe os ideais de livre comércio ?
- O que é feito do tratado de livre circulação de pessoas e bens , com direitos iguais ?
- Onde está a Europa da solidariedade ?
Todos sabemos que houve um tempo das ditaduras , das opressões , e das guerras . Sabemos também que houve um tempo de derrube de muros , de barreiras ideológicas .
E houve um tempo de prosperidade , de progresso , mas que não foi sustentado nem equitativo . Que trouxe para a Europa o desemprego , a instabilidade , a desconfiança , e a desilusão do ideal Europeu .
E hoje ? Que é feito da esquerda progressista ?
Como e com que se justifica a esquerda conservadora ?
Qual o valor da direita liberal ?
Que razões há para o crescimento de esquerdas radicais , e direitas radicais ?
E finalmente qual o papel da política e da democracia moderada ao centro como o fiel da balança Europa .
Assim diga-se , uma vez Europa , sempre Europa , que seja a Europa  da justiça , da democracia , da paz , da confiança , da esperança , da liberdade , da oportunidade , da igualdade , da fraternidade e solidariedade .
A minha a tua , a deles , a de todos , e uma só Europa .

         José Paz
      Texto de autor
Lisboa 23 / 05 / 2014
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