segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O Estado do nosso Estado

Princípio de uma boa gestão , seria o saldo final representar , se não igual desempenho na receita e na despesa , mas também na eficiência e competência .
Mas não por cá em terras Lusas , porque em matéria de economia e finança , é simplesmente cobrar , gastar e endividar .
Assim o crescimento apregoado de 1,6% assente na prucura e consumo interno , é tão somente um tempo curto de euforia , porque não encontra suporte na estrutura de redistribuição de riqueza , nem na criação de emprego .
No que respeita a exportação e procura externa está estagnada , e corre o risco de diminuir em virtude de não haver um investimento de inovação industrial e reconversão de mercados comerciais , e também pela questão Europa , Rússia , América ( USA) .

É quase imperceptível o que vai ser o Orçamento de Estado para 2015 .

Já quanto ao que vai fazer o Governo no caso do Orçamento Rectificativo , e uma vez que faltam 4 meses , e não quer aumento de impostos em 2014 , mas claro é que vêem em 2015 ,
é como num jogo de xadrez o Governo avançou com o seu pião , isto para estudar as posições adversárias , para depois fazer o seu jogo , nisto têm assumido o Dr Marques Mendes o lugar de pião avançado , e avançou com a possível alteração de IVA em mais 1% , o que pode representar um encaixe de 600 milhões de euros .
Sabemos nós portugueses interessados que têm o Governo um saldo de extra de mil milhões de euros , estes resultado de uma efectiva cobrança de impostos bem conseguida ao nível de algumas execuções fiscais em matéria de receita de consumo interno . Têm também uma diferenciação em relação à reposição de salários e vencimentos da função pública mais favorável , embora seja isto uma imposição do Tribunal Constitucional .
Mas também se sabe que há um aumento do défice de 6% , em comparação a igual período do ano passado , e que cresce a despesa em todo o Sector Estado , e que é transversal a todos os ministérios .
Também ao nível de juros de dividida há um significativo aumento , e que em todos os registros se concluí que o emprego de uma boa gestão falhou , que a boa execução fiscal ao nível de receita de impostos , não consegue fazer face ao real valor crescente de despesa , e o emprego e as empresas estão em padrões de iminente depressão , a economia não têm suporte efectivo , e o sector financeiro ameaça ruir a qualquer momento arrastando o País para um défice até ao final do ano que só será de 4% do PIB se na realidade houver um milagre , um aumento de receita pela venda de activos , ou por impostos .
Será possível acontecer um milagre nestes 4 meses !
Julgo que só mesmo uma bênção do Divino conseguiria fazer este Governo concretizar algo que não conseguiu em três anos , ou seja uma boa Gestão Orçamental .

Afinal os Orçamentos apresentados ao longo destes três anos , todos eles foram rectificados , nenhum houve que fosse até hoje apresentado e cumprido integralmente pelo Governo , todos eles foram constituídos de carência de apreciação constitucional .
Só por si revela uma total irresponsabilidade e incapacidade governativa , além de que se torna difícil entender como é possível um Governo apresentar um Orçamento que não pode executar , sem estar sujeito a derrapagens , alterações , ou irregularidades processuais e administrativas , sujeitando o Estado e o País a vergonhoso Desgoverno .

Numa verdadeira Democracia há muito que já teria caído o Governo , quer fosse por demissão voluntária , quer fosse por imposição de poder Presidencial , quer fosse por vontade de Democracia Popular que é a soberania de Democracias maduras e livres .
Mas Portugal por muito que possa custar a algumas mentes intelectuais e iluminadas , não podemos dizer que se vive em democracia , porque até hoje só Governos de maioria absoluta , conseguiram cumprir o seu mandato de uma legislatura completa , mas não cumpriram os programas eleitorais apresentados a votos nas respectivas eleições , quer fossem estes de Esquerda ou de Direita .
O mesmo será dizer que governar com maioria absoluta é restringir o poder da oposição parlamentar , na sua participação democrática e numa efectivação de verem aceites os pressupostos de consenso político das outras forças partidárias , e até dos Parceiros de Concertação Social , ou até de movimentos da sociedade . O que representa governar com livre arbítrio , com sua única vontade , mesmo até em ditadura do quero , posso , mando .

A nossa Democracia é nova dizem muitos , o nosso País é velho digo eu .
Assim 40 anos a viver em Democracia são muitos anos para errar e aprender , para amadurecer , são algumas gerações a partilharem estes anos , era altura de ser adulta esta Democracia , assim como o sou eu cidadão nascido em 1970 , a quem se pede sacrifícios , e que contribua para País melhor , eu pergunto ;

Senhores Governantes e afinal onde está a responsabilidade , o rigor , o dever , o respeito , a verdade , a transparência , a moral , o carácter , a competência e maturidade de Vossas Excelências ?

Resta dizer demitam-se Senhores Governantes , por vós , por nós , por Portugal .

              José Paz
     Texto do autor
  Lisboa 25 / 08 / 2014

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Minha Mãe ( A Velhice do Padre Eterno - Guerra Junqueiro )

    Minha Mãe

Minha mãe, minha mãe ! Ai que saudade imensa
do tempo em que ajoelhava , orando , ao pé de ti !
Caía a mansa noite ; e andorinhas , aos pares ,
cruzavam-se , voando , en torno dos seus lares ,
suspensos no beiral da casa onde eu nasci .
Era hora em que já sobre o feno das eiras
dormia , quieto e manso , o impávido lebréu .
Vinham-nos da montanha as canções das ceifeiras ,
e a Lua branca , além , por entre as oliveiras ,
como a alma dum justo ia em triunfo ao céu !
E , mãos postas , ao pé do altar do teu regaço ,
vendo a Lua subir , muda , alumiando o espaço ,
eu balbuciava a minha infantil oração ,
pedindo a Deus que está no azul do firmamento
que mandasse um alívio a cada sofrimento ,
que mandasse uma estrela a cada escuridão .
Por todos eu orava e por todos pedia :
pelos mortos , no horror da terra negra e fria ,
por todas as paixões e por todas as mágoas ...
pelos míseros que , entre os uivos das porcelas ,
vão em noites sem lua e num barco sem velas ,
errantes através do turbilhão das águas .
O meu coração puro , imaculado e santo
ia ao trono de Deus pedir , como ainda vai ,
para toda a nudez um pano do seu manto ,
para toda a miséria o orvalho do seu pranto
e para todo o crime o seu perdão de pai .....
..... ..... ...... ...... ...... ....... ....... ....... ........ .......

Uma parte deste lindíssimo poema de Guerra Junqueiro , uma reflexão na proximidade do meu aniversário e também a saudade do meu tempo de menino , no qual me identifico com este início desta poesia .

José Paz
Lisboa 22 / 08 / 2014

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Princípio Deliberativo Democrático

                                        Constituição da República Portuguesa
                                                        

                                                                        Artigo 1

Portugal é uma República soberana baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular empenhada na construção de uma sociedade livre , justa e solidária .

                                                                        Artigo 9

Alínea d : Promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses , bem como a efectivação dos direitos económicos , sociais , culturais e ambientais , mediante a transformação e modernização das estruturas económicas e sociais;

Feita a introdução dos Princípios da nossa República Democrática , vou redigir uma base  resumida de um acórdão deliberativo de uma Assembleia Popular ;

                                                                  Acórdão Popular

É a República Portuguesa um Estado de unidade Popular Democrática deliberativo assente no voto presencial electivo dos representantes do Povo , estes que se constituem numa Assembleia Nacional Constitutiva e Representativa , com poderes delegados nos Governos Constituídos de Autonomia para elaborar um Código Civil e Penal , num conjunto de leis , normas e regras que regulam a vida do País e do Povo , e são a garantia de independência de um Estado de Direito.
O sufrágio Popular e Universal do voto dos cidadãos , é o implementar da concepção da Constituição da República Portuguesa .
São os eleitos empossados dos seus direitos de representação do Povo , que se reúnem em Plenário para deliberar através do seu poder de voto Parlamentar , a favor ou contra as propostas governativas do Governo Português ,e na Assembleia colocadas a escrutínio de aprovação ou reprovação . Resveste-se pois de garante a maioria de votos da Assembleia que tem o dever de pedir a promulgação da referida aprovação da Assembleia , e depois de promulgada implementar o seu cumprimento e respeito Nacional , com fundamentos legais , cívicos , e morais e à qual todo o Cidadão independentemente da sua condição social , económica , e cultural se submete a respeitar e defender , no estreito respeito pela lei , direitos , liberdades , e garantias de um Estado Soberano .

Este princípio básico rege a sociedade portuguesa que a constitui e confere em todo o cidadão , num direito igual perante a Constituição Democrática que serve e na qual está inserido .

Entende-se que a nossa Democracia assenta no voto Popular , que assenta no direito Constitucional , que assenta na Assembleia da República , que assenta na Democracia Popular .

Conferido esta o círculo do direito de participação moral , cívica , e legal , na vida democrática da República Portuguesa .

Conferido está que na História de 40 anos da nossa democracia foi implementado e consumado um princípio de descriminação social e económica , e a criação e transformação indevida de privilégios que violam os Princípios Fundamentais da Constituição da República Portuguesa.

Assumiu a Classe Elitista Portuguesa os princípios de direitos que não lhe estavam consagrados , alterando na medida de configuração especial , a conveniência das suas mais íntimas aspirações e ambições pessoais e particulares , em desfavorecimento do Povo e da República Portuguesa .

Criaram os Partidos Políticos uma Élite de Políticos de Carreira , e ainda como suporte da sua Classe uma Sub-Classe de Assessores , esta que subdivide em Consultores e Gestores .

Assim a segunda Personalidade Jurídica Representativa da República Portuguesa , deu aos portugueses uma nova palavra no seu vocabulário , << inconseguimento >>.

É pois por inconseguimento governativo que temos hoje um país mais desigual , uma sociedade mais desigual , uma economia mais desigual , um Estado Social mais desigual .

Também por inconseguimento governativo discriminaram e atribuíram privilégios , criando o maior fosso que há memória entre ricos e pobres , e empobreceram a sociedade e o país destruindo emprego e património .

Igualmente por inconseguimento governativo tornaram o real em ilusório , e a saúde em doença , a educação em indisciplina , a cultura em cárcere , a qualidade de vida em miséria .

Dos direitos consagrados na Constituição no Artigo 9 alínea d , há a constatar a efectivação do real inconseguimento governativo .

É por este inconseguimento governativo que nós Cidadão podemos e devemos responder com a Resistência e Desobediência Civil a que temos por direito de contestação .

É também por inconseguimento governativo que devia o Governo apresentar a sua demissão ao Presidente da República Portuguesa , e este devolver ao Povo o que lhe pertence a Democracia Popular Representativa .

Foi pois inconseguimento o governo de um País e de um Povo , e assumido o desrespeito pela Constituição que juraram cumprir e defender .

Porque há um inconseguimento governativo , executivo , administrativo e legislativo da nossa vida social e económica .
Inconseguimento extensivo a falta de rigor , de transparência , de verdade , de disciplina , de responsabilidade , e capacidade política , cívica e moral para governar o futuro de Portugal .

Fica esclarecido o significado de  << inconseguimento >> .

José Fernando Marecos da Paz
     Texto do autor
Lisboa 21 / 08 / 2014

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Sustentabilidade da Segurança Social e Reformas

As reformas têm um problema de sustentabilidade , que nada têm a ver com as reformas princepescas que são pagas a um agrupado de 20 mil pensionistas , num universo de 3 milhões de reformados .
Ora começa desde logo pelo preconceito de andar a valorizar a infame discriminação daqueles que auferem reformas de 2 , 3 , 4 mil euros , querendo que estes pensionistas sejam penalizados por terem uma carreira contributiva de dezenas de anos  , mais injusto quando os mesmos já são superiormente penalizados por agravados escalões de IRS e até por contribuição de solidariedade , quando os demais usufruem de solidariedades que os mesmos vão sustentando uma vida inteira , ( não que concorde com muitos abusos e outras situações de verdadeiras ilegalidades ) .
E onde está o mal do estado da Segurança Social ?
O mal está desde logo nos salários actuais , como é possível  um trabalhador que começa a sua vida laboral com um vencimento mínimo , pagar uma reforma actual de igual valor , como é que um professor que está precário , a recibos verdes , pode pagar a reforma de um professor de carreira com mil a dois mil euros de pensão .
Como é possível que um trabalhador contratado por uma empresa ( de trabalho temporário ) , com salário mínimo pode pagar a reforma a um pensionista com uma carreira contributiva completa na mesma profissão mas com uma reforma superior .
Como é possível que valores que deveriam ser pagos em salários entram nas empresas de trabalho temporário como receitas e são contabilizados como activo nada contribuindo para a segurança social .
Como se pode continuar a fazer da economia um simples mercado de valores monetários e não se invista no emprego como motor de sustentabilidade económica , que se valorize a redução de negociação contratual e laboral dos trabalhadores , reduzindo ainda a sua capacidade activa de produtividade assente em trabalho precário , com horários reduzidos e alternados , com recurso a contractos a prazo ou sazonal , e ainda recibos verdes por tempo indeterminado.
E então como se faz a sustentabilidade da Segurança Social ?

1- Desde logo pelo aumento salarial , mais salário , mais contribuição , mais justiça social .

2- Empresas de contratação temporária e prestadoras de serviços de mão de obra profissional , devidamente reguladas e fiscalizadas , para que os valores pagos sobre salários e vencimentos de trabalhadores cedidos ou contratados , represente o valor integral a descontar para a Segurança Social .

3- Sindicalismo assente no respeito pelo emprego e não pela propaganda e uso demagógico dos valores contratuais e laborais , assente na verdadeira e transparente negociação da Concertação Social com os Governos , e não na constante manutenção de greves e paralisações , que apenas agravam as futuras gerações de trabalhadores .

4- Os Governos devem assegurar uma eficaz fiscalização e regulamentação que incentive as Empresas à criação de emprego valorizado , especializado , estável ,com rendimentos e direitos efectivos e não transitórios .

5- Criação de um sistema de Reformas que permita à Empresa e ao Trabalhador a opção de um valor mínimo de contribuição , quer para a TSU quer para Segurança Social , evitando assim a contratação em sistema de trabalho paralelo com um valor de vencimento e outro de descontos não correspondente ao valor auferido .

6- Criação de um sistema de Saúde ( seguro ) que possa ser opção de contribuição por parte dos trabalhadores e que seja convertível em complemento de Reforma após aposentação .

7- Criação de uma regulação que permita a fixação de tecto limite no valor a usufruir de Reforma por parte dos contribuintes , mas com igual tecto de contribuição em previsão de um valor de Reforma a receber quando deixar a vida activa e por conseguinte passe a Reformado .

8- Fixar o valor mínimo de Reforma para o Regime Geral de Aposentações no valor do Salário Mínimo Nacional .

9- Fazer a Reforma da Segurança Social é urgente e necessária , assim como o é a Reforma de todo o Sector Administrativo do Estado .

10 - Reposição dos valores de Reforma e Pensões a todos os cidadãos que no pleno uso dos seus direitos , liberdades e garantias estão a ser vítimas de uma geração de governantes incompetentes e sem escrúpulos morais e políticos .

Finalmente lembrar que o autor deste texto tem a escolaridade obrigatória , não tem nenhuma licenciatura nem doutoramento e tem grande orgulho em ser Português , só lamenta que qualquer enegrumeno chegue a governante só porque se titula de Doutor ou Engenheiro .
Aos Reformados deste Portugal deixo uma reflexão que mal fizestes vós para pagardes as incompetências destas governações . Vós sois metade do eleitorado português , nas vossas mãos está escolher aqueles que vos merecem representar .Aos quarentões como eu deixo um conselho antigo que sempre ouvi aqueles que viveram a luta da ditadura ;

( Adormeces-te em Democracia , cuidado não acordes em Ditadura  ).

Aos nossos governantes lembro a história da sabedoria popular que conta que atrelado o burro ao arrais da Nora do Poço , o mesmo andado a volta deste tirava a água enquanto o agricultor durmia a sesta , mas como tapados os olhos o burro não parava de andar a roda do Poço , mesmo quando a água já não chegava aos alcatruzes da Nora .
Assim sois vós burros , que não vedes que o Povo já não têm mais de onde tirar , e que seca a fonte das vossas faustosas vidas , acordareis rodeados da miséria que servisteis .

             José Paz
     Texto do autor
Lisboa 18 / 08 / 2014

sábado, 16 de agosto de 2014

Sermões Padre António Vieira

Padre António Vieira nasceu em Portugal em 1608 e morreu na Baia- Brasil em 1697 .

Antes de passar ao sermão ( A União ) , quero transcrever aqui uma frase de S. Agostinho ;

<< Homines pravis , praeversisque cupiditatibus , facti sunt veluti pisces invicem se devorantes >>

Tradução do latim para português ;

<< Os homens , com suas más e perversas cobiças , vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros . >>

Quem sabe tenha esta frase de S. Agostinho inspirado o sermão de S. António aos Peixes .
Mas voltemos ao sermão de Padre António Vieira , uma parte do início de ;

A União

<< Toda a vida ( ainda das coisas que não têm vida ) não é mais que uma união .
Uma união de pedras é um edifício ; uma união de tábuas é navio ; uma união de homens é exército .
E sem esta união , tudo perde o nome , o ser .
O edifício sem união é ruína ; o navio sem união é naufrágio ; o exército sem união é despojo .
Até o homem cuja vida consiste em união de alma e corpo , com união é homem , sem união é cadáver .
A maior obra da sabedoria e da omnipotência divina , que foi o composto inefável de Cristo , consistia em duas uniões ; uma união entre o corpo e a alma , e outra união entre a Humanidade e o Verbo .
Quando perdeu a primeira união , deixou de ser homem ; se perdera a segunda , deixara de ser Deus .
Ò Deus ! Ò homens ! Que só a vossa união vos há-de conservar , e só a vossa desunião vos pode perder ! >>

Sendo eu Cristão mas não sendo seguidor de religiões não posso deixar de encontrar nos sábios da vida a luz para me guiar no caminho .
Certo é que os Senhores que têm o poder de ouvir estas palavras , e o poder de lhes dar vida no sentido de existir , apenas as utilizem na dimensão da oratória e da retórica , sendo inconsequentes são os que nelas crêem , mas de as praticar se abstêm .
Deixo pois aqui uma outra frase em jeito de reflexão de Padre António Vieira ;

<< Quem quer mais do que lhe convém , perde o que quer e o que têm .>> .

Pois reparai como se encontra eco no contexto nacional da nossa banca , estas palavras têm a sua origem há 406 anos atrás , e são tão presentes e actuais .

             José Paz
       Texto do autor
Lisboa 16 / 08 / 2014

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O Estado a Sociedade e os Velhos

Ser descriminado por ser Velho , de quem é a culpa ?
Pois a questão é transversal a toda a sociedade .
Aos Governos porque valorizam o Sénior e desvalorizam o Velho , Idoso .
À Sociedade porque na sua cede de consumo individual valoriza o material e desvaloriza o afectivo .
Ao Cidadão porque não cuida do seu futuro enquanto jovem com capacidade e faculdade física e mental prevenindo a sua velhice , e que quando chegado a Velho porque descuida o seu dia a dia e se torna sedentário e inactivo , fazendo do seu tempo uma longa espera do nada , entregue a um conceito de inutilidade física e mental , e assumindo um lugar aparte da sociedade , criando nichos e círculos fechados de Velhos .
Muitos perguntaram o que podem fazer mais chegados a esta fase da vida ?
Isto porque acreditam que tudo fizeram para ter a sua casa , educar e criar os filhos , encaminhar o seu futuro , contribuir para educar e criar os netos , agora a sua saúde e força já não lhes permite mais .
Isto é certo , e tudo o que fizeram foi certo .
Mas então o que está mal ?
Mal está quando deixam de viver a sua vida para viver as dos outros , quando assumem as responsabilidades de outros e não as suas .
Basta reparar que querendo o bem no seu íntimo os Velhos de agora deram tudo aos filhos , educação , caro , casa , dinheiro , uma sociedade desenvolvida , uma estrutura social e económica , e o mesmo fizeram pelo Estado dando tudo aos sucessivos Governos , casas , carros , condições económicas e sociais , regalias e condições de vida distintas das suas .
Pois mas esse querer ser melhor dar o melhor , revelou-se ser o contrário ao espírito de 25 de Abril de 1974 , isto porque o facilitismo o ter sem valorizar é hoje um individualismo contrário ao espírito de dever e responsabilidade cívica e moral da sociedade .
O tempo que se viveu acima das possibilidades na década de 90 e 2000 , foi o começo do declínio de um caminho começado 20 anos antes , um declínio que é ele hoje estruturado sobre um povo e um país destruturado economicamente e socialmente .
Os Cidadãos foram dando o seu voto quer às Famílias quer aos Governos sem contestar o seu projecto de futuro , acreditaram nas boas intenções de uns e outros , foram dando o tudo e fazendo o tudo , consentindo o tudo , sem fazer contas ao custo do então presente , e sem ter em conta a perspectiva do futuro que é hoje o presente .
Assim foi o passado um somatório de convivência em consentimento com as muitas formas consumadas de desregulamentação da sociedade , dos governos , das empresas e das famílias , aceitando o tudo sem avaliar o nada consequência desse tudo .
E hoje o que são os Velhos , os Idosos , os Séniores ?
Uns e outros são o reflexo de um sistema que se criou do nada , um exemplo de offshore de todos e de ninguém , os Novos de então são os Velhos de agora , as certezas do passado são as incertezas do presente e a perspectiva de um horizonte futuro de dúvidas sem fim .
Aos Velhos , Idosos , Séniores eu digo é hora de lutar , não é a luta da força física , é a luta que está ao vosso alcance , e que é em democracia a maior força de um cidadão o voto .

                José Paz
         Texto do autor
    Lisboa  15 / 08 / 2014

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Velho , Idoso , Sénior

Longe vai o ano de 1993 , este foi o ano do Idoso celebrado em Portugal , com razões para acreditar no futuro da Terceira Idade saudável , num país em crescimento e desenvolvimento social e económico , com uma Europa a ser fonte de todos os caprichos governativos do governo de então que ficou conhecido pelo governo do betão e do alcatrão .
Muitos dos governantes dessa época já cá não estão , outros estão reformados , mas outros estão no activo da vida pública e estão em cargos de representação nacional e em lugares de governação e gestão empresarial públicos e privados .
Ora qualquer cidadão à data de 1993 em plena actividade laboral e a meio de uma vida contributiva ( 40 /45 ) , já pensava no seu futuro , na sua reforma , na sua velhice .
Se bem me recordo na década de noventa havia uma vontade de construir um sistema social abrangente e digno para fazer face às necessidades da terceira idade , havia o desejo de garantir um sistema de saúde igualitário e justo que promovesse os cuidados continuados ,  proporcionando bem estar e uma solidez e estabilidade para com aqueles que não tendo saúde nem condições económicas não ficassem à margem da solidariedade do Estado .
Nessa altura a sociedade convivia bem com os seus Velhos , Idosos , neles era reconhecido o valor do conhecimento da vida , havia uma interacção , convívio , partilha entre as gerações e quer fosse no campo laboral ou social estavam integrados nas mais diversas actividades da sociedade e da família , bem como do Estado diga-se  Governo .
Ser Velho , Idoso , era sinônimo de respeito e saber , era sinônimo de união e família era sinônimo de uma sociedade justa , fraterna , solidária , equilibrada .
Mas mudaram os tempos e as atitudes , mudaram as mentalidades e hoje ser Velho , Idoso , é mais um número no Estado e no agregado Familiar , é ser um custo para o Estado e para a Família , é ser um estorvo ao desenvolvimento do Estado e da Família .
Porque mudou o conceito social e familiar , porque se dá mais valor hoje ao individual que ao colectivo , que se aceita melhor a solidão ao invés da socialização , porque Velho é agora custo , porquê saúde é agora luxo , porquê vida da é agora lucro .
Hoje há milhares de Velhos , Idosos , sozinhos , na mais desesperada solidão , no mais profundo esquecimento , nas suas casa o mundo é um circulo sem vida , na sala de jantar uma mesa é mais um objecto do qual o olhar desesperado repousa na imensidão da recordação vazia de afectos , as mãos enrugadas que sobre ela pousam apenas compõem a tolha de renda feita de um amor sem tempo , esse que agora sobra do nada , mas depresa se levantam para limpar do rosto essas lágrimas que juntas contam a desilusão da vida .
Outros milhares são entregues em depósitos de objectos vivos , mas sem direito de vida , foram colocados ali como um objecto Velho , usado , sem utilidade , como se estivessem arrumados num canto do sótão . Mas quando vêm o tempo das Festas , são lembrados , vão lá ao canto do sótão buscar o Velho e o apresentam como uma relíquia esquecida e guardada dos anos e dos olhos , desses olhos que não vêem para que o coração não sinta.
Pois que se diga em palavras simples a vida não é um número , o Estado , o Governo têm o dever e a obrigação de cumprir para com aqueles que honraram os seus compromissos com muito trabalho , suor , lágrimas e sangue , e isto é e deve ser uma exigência de todos .
Quanto à Família , é bom que se lembrem quando andarem a passear , quando estiverem a jantar , quando assistam a um cinema , daqueles que não pedindo nada estão em silêncio esperando o passar das horas até ao último segundo padecendo do amor que sentem por aqueles que o amor desprezam .
Pode parecer demasiado cruel estas minhas palavras , mas se queremos ter Velhos activos e saudáveis , somos nós sociedade que devemos exigir que se cumpra um dever de ricos e pobres , e que é lutar pelo direito à dignidade humana ao mínimo de conforto e respeito social e económico seja ele Família ou Estado .

                José Paz
        Texto do autor
  Lisboa 14 / 08 / 2014

Bom dia...