segunda-feira, 12 de maio de 2014

Retalhos da Sociedade dos Números

Perdidos algures entre o real e o ilusório , assim vivem os governantes da sociedade moderna . Uma sociedade que vive em torno de uma economia baseada no consumo . O material afectivo e efectivo , e os bens de satisfação e realização pessoal e emocional , são hoje cada vez mais individualizados . Numa sociedade que evolui a uma velocidade nunca antes experimentada , não houve nem há tempo para a implementação sustentada da evolução de forma equitativa e igualitária . Em rigor não o seria , mas a injustiça sobrepôs a fraternidade humana e assim prevalece a justiça dos poderes económicos que dominam os povos , e os enumeram por forma de uma racionalidade de heroísmo consumidor.
Não há hoje a preocupação de solidificar a evolução de forma sustentada e bem alicerçada   para o bem estar e qualidade de vida da sociedade enquanto agente principal da economia. Em matéria de opções de justiça social e económica a regra é uma soma dos números e o dividendo dos lucros pelo do capital . Os mercados são hoje o modelo dominador de uma factual economia dominante sobre os valores humanos .
A vida perdeu o valor da dignidade , da sua existência é apenas na conta uma parcela numeral na equação da multiplicação da economia global . No objectivo civilizacional dos povos , enquanto uns lutam pela sua própria sobrevivência , outros lutam pelo domínio único da vida de números de consumidores . Assim as desigualdades são cada vez mais um abismo que se estende de um estremo ao outro estremo do mundo , que se compreende existir , mas que o capital e os mercados parecem ignorar , como se não houvesse um amanhã.
É pois um facto cada vez mais visível o crescendo de diferencial entre pobres e ricos , a classe média parece ruir como baralho de cartas , a classe operária míngua em labor e salário , a classe política fecha os olhos e vive acima dos valores da democracia , enquanto o grande capital estrangula toda a economia e sufoca a sociedade sem esperança no futuro .
É também espectável que tanto uns como outros caminhem para o abismo , e que se encontrem de um lado e de outro , ambos terão o mesmo desejo de ser dos últimos a cair , mas a verdade é que como forem caindo o abismo se vai ampliando , para um mesmo fim .

       José Paz
Lisboa 12/5 /14
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