O Mito Orçamental da Pirâmide Social
Um preceito faz a diferença entre o que somos e quem somos. O Mito Edeológico da Razão Politica, que existe no universo de sentidos confundíveis da satisfação humana, presentes na sua qualidade de vida e bem estar civilizacionais e relacionados com a realidade de governar uma Sociedade e de uma Sociedade desgovernar um Estado.
Afinal e os cidadãos da Sociedade e do Estado, os partidários e apartidários, os orçamentados e os desorçamentados, nós quem somos? Os governados ou os desgovernados ?
Não será jamais nos entendidos meios académicos feita a análise simples da comparação causa e efeito dos actos bons ou maus de uma orçamentação realística e casuística e de um orçamento sem ter por base todas as variáveis estatísticas prováveis no deve e haver do rigor nas contas de um Governo com o dito poder de governar uma Sociedade, num desgoverno do Estado.
Ora quem governa, também desgoverna? Ou melhor dizendo quem a uns dá , a outros tira?
O governo de uma casa não é por certo o de uma freguesia, nem o de uma freguesia o de uma cidade, nem o da cidade o de um país. Assim como também não o é, o de um país para uma união de países.
Se lembrarmos a vastidão da nossa história humana, encontraremos um infinito número de fórmulas mais ou menos comuns e comparativas de governos ao longo de toda civilização universal e em torno de modelos de gestão das Sociedades e Estados socialmente organizados, mas também nos modelos de Comunidades que sendo Tribais ou Nómadas, têm estruturas hierárquicas que administram toda a vida quotidiana material e moral das pessoas nos seus espaços comuns de vida.
Na antiga Mesopotâmia as cidades eram Estados, cada uma com seu Rei e Governo, por sua vez e no vasto Império de Alexandre o Grande, cada cidade tinha um estatuto de autonomia governativa, e os seus representantes locais respondiam perante um Governador do Regional do Imperador, situação que se estendia por todo o Mediterrâneo e por toda a Europa, esta então governada pela sede dos Impérios, e já no tempo do domínio Império Romano, que se estenderia aos Impérios Coloniais, e diga-se em rigor da verdade politica administrativa, estatuto que mantém o Estado do Vaticano.
Podemos sempre fazer comparações da nobre aristocracia que reina por muitos países da União Europeia, e encontraremos muitas delas em concordância destas fórmulas governativas, no que são em comparação cópias quase perfeitas de outras já desaparecidas monarquias e que são hoje as repúblicas, mas que como regra e no geral, uma cópia é uma cópia, falha no ideal do pensamento edeológico e no seu estrutural administrativo, porque não foi o fundamento original da República popular num modelo de democracia representativa parlamentar de administração governativa dos novos Estados.
Regressamos pois, ao governo e desgoverno das Sociedades Estado e dos seus Orçamentos Financeiros, estes que são os fundamentos das conjunturas de arquiteturas estruturais das guerras sociais que foram e são travadas no mundo civilizado. E se antes se lutava pela sobrevivência da espécie dominante, o Ser Humano, hoje tuta-se pela nova espécie dominante global, a Economia, materializa-se o poder do valor económico que representa em números cada humano, e pelo que vale em moedas a sua vulnerável mas também inquietante existência financeira, afinal que são facto de complementaridade de um e outro.
Compreende-se que enquanto uns vivem de governos, outros vivem de desgovernos, no entanto não são dois modelos de gestão, mas apenas e só o mesmo, basta perceber o alcance que se consegue com uma boa guerra económica com um mau exército, mas com um bom comando administrativo e estratégico, e o que se perde com um bom exercito mas com um mau comando administrativo estratégico.
A causa de uma guerra social é o negar do desgoverno de um Estado.
A consequência da guerra social é o afirmar do governo de um Estado.
Resume-se nas boas e más práticas de governação de um país ou de um povo, uma continuidade de um reconhecimento de desenvolvimento económico e social, equilibrado e sustentável dirigido de forma o mais equitativa e o mais igual possível, com reais oportunidades de progresso individual e colectivo de uma Sociedade e do Estado, o reforço de uma vertente humana e solidária na redistribuição da riqueza produzida e capitalizada na valorização das instituições sociais, politicas, económicas e culturais em todos os seus estratos como componente da capacitação humana e material de uma civilização.
Assim se percebe que quando o progresso e desenvolvimento não está sustentado na sua base, que mais cedo ou mais tarde o progresso cederá aos interesses sobre ele instalados, começa o declínio, retrocesso social e económico e estratificação da Sociedade e do Estado, o descredito dos modelos estruturais.
Uma economia em pirâmide sem alicerces fortes bem ligados entre si, sem uma rede de suporte unida e bem estruturada, sem conhecimento e domínio dos factos e acções que se manifestam desenraizados e marginalizados nas suas estruturas internas mas também externas, consoante a sua exposição ao passar tempo e ao agudizar dos problemas e das mais diversas reações não condizentes com a coesão da força da sua unidade dentro do seu espaço comum, contando com constantes influências marginais radicais e exercidas por uma maior exposição aos movimentos sensacionalistas de convivência global e universal, tenderá a sofrer a significativos avanços e recuos com elevados custos comportamentais no caminho do desenvolvimento de um projecto de sustentabilidade a médio e longo prazo.
A pressão mediática bem como o desgaste dos seus pilares estruturais não podem resistir apenas à força dos movimentos sobre si descarregados. Sem respostas e acções concretas, eficazes e sincronizadas ente si, as bases são postas à prova, vão gradualmente perdendo resistência e cedendo aqui e ali, as estruturas de cima próximas da base sentem essas cedências, e reforçam na base a sua força, nas estruturas entre-médias o esforço é mantido com custos elevados na sua própria estrutura, para que estas sustentem a estrutura de topo, esta por sua vez vive no sustento da pirâmide, mas só as bases sentem e sabem por quanto tempo permitem a ausência de apoios, e sem esses mesmos apoios é uma questão de tempo até ao ruir da estrutura. Ignorando a base, a hierarquia de topo mantém o brilho e a opulência de sempre, assim sobrecarrega as estruturas entre-médias e estas por sua vez as estruturas de base, umas e outras são levadas à exaustão, o que é governo para uns pode ser desgoverno para outros e sem justiça social não há Sociedade nem Estado. Uma estrutura bem governada só existe quando não excluí todos os seus componentes, porque sabe que os primeiros serão os últimos e vice-versa, e quando uns cederem, toda a estrutura cede com maior ou menor impacto constante a preparação e capacidade de uns e outros. Quando qualquer governo excluí ou discrimina, sabe que está a criar novos desgovernados e tanto quanto o seu número cresça em força e poder, mais próximos e unidos estão, a qualquer momento eles assumirão a guerra social, na sua forma seja ela interna ou externa, um único objectivo os faz uma massa compacta, a conquista de um governo. A uns cabe dirigir e ser governo, a outros cabe ser dirigidos e governados , mas só ambos terão a força e o saber para fazer o caminho e ultrapassar as contingências interiores e exteriores. Há uma certeza, não existirão uns sem os outros. Mas para que a sua existência seja pacífica e sustentada, enquanto Sociedade e Estado, o topo da pirâmide jamais pode desconhecer as sua bases de fundação, e não pode suportar-se apenas nas bases entre-médias. Por isso nos pilares de base estrutural têm de ser justo e rigoroso e reforçar a destruição de empenho e valor, ser exemplo fidedigno no seu reconhecimento de suporte dos pilares entre-médios de toda a estrutura, fazer a constante politica activa e cuidada, rigorosa e precisa para que não se perca vigor e lucidez no governo de uns e de outros, e para desgoverno de alguns que são ingovernáveis. Quem julgar que governa bem, porque só aos interesses mais próximos governa, julga mal aqueles a quem julga distantes, de quem faz de governados os desgovernados, mas ainda que distantes ficam mais perto de ser o próximo Governo.
Vale pois o velho, mas sempre actual adágio popular ; "Quanto mais alta é a ambição mais perigosa é a ascensão. Mais alta é a queda e a humilhação."
José Paz
Texto do autor
Lisboa 25/10/2021
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