Padre António Vieira nasceu em Portugal em 1608 e morreu na Baia- Brasil em 1697 .
Antes de passar ao sermão ( A União ) , quero transcrever aqui uma frase de S. Agostinho ;
<< Homines pravis , praeversisque cupiditatibus , facti sunt veluti pisces invicem se devorantes >>
Tradução do latim para português ;
<< Os homens , com suas más e perversas cobiças , vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros . >>
Quem sabe tenha esta frase de S. Agostinho inspirado o sermão de S. António aos Peixes .
Mas voltemos ao sermão de Padre António Vieira , uma parte do início de ;
A União
<< Toda a vida ( ainda das coisas que não têm vida ) não é mais que uma união .
Uma união de pedras é um edifício ; uma união de tábuas é navio ; uma união de homens é exército .
E sem esta união , tudo perde o nome , o ser .
O edifício sem união é ruína ; o navio sem união é naufrágio ; o exército sem união é despojo .
Até o homem cuja vida consiste em união de alma e corpo , com união é homem , sem união é cadáver .
A maior obra da sabedoria e da omnipotência divina , que foi o composto inefável de Cristo , consistia em duas uniões ; uma união entre o corpo e a alma , e outra união entre a Humanidade e o Verbo .
Quando perdeu a primeira união , deixou de ser homem ; se perdera a segunda , deixara de ser Deus .
Ò Deus ! Ò homens ! Que só a vossa união vos há-de conservar , e só a vossa desunião vos pode perder ! >>
Sendo eu Cristão mas não sendo seguidor de religiões não posso deixar de encontrar nos sábios da vida a luz para me guiar no caminho .
Certo é que os Senhores que têm o poder de ouvir estas palavras , e o poder de lhes dar vida no sentido de existir , apenas as utilizem na dimensão da oratória e da retórica , sendo inconsequentes são os que nelas crêem , mas de as praticar se abstêm .
Deixo pois aqui uma outra frase em jeito de reflexão de Padre António Vieira ;
<< Quem quer mais do que lhe convém , perde o que quer e o que têm .>> .
Pois reparai como se encontra eco no contexto nacional da nossa banca , estas palavras têm a sua origem há 406 anos atrás , e são tão presentes e actuais .
José Paz
Texto do autor
Lisboa 16 / 08 / 2014
Sem comentários:
Enviar um comentário